EUA ataca Irã, que anuncia medidas de represália e denuncia 'crime de guerra'
Novos combates eclodiram entre Estados Unidos e Irã nesta quinta‑feira (9), horas antes do enterro do líder supremo Ali Khamenei, com Teerã atacando aliados de Washington na região e bombardeios americanos que atingiram o perímetro de uma usina nuclear iraniana.
Esses ataques americanos, apesar de um protocolo de acordo firmado entre os dois beligerantes em 17 de junho, deixaram 17 mortos, segundo autoridades iranianas.
O Irã desafia Washington com sua intenção de cobrar pedágio dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, algo que não fazia antes dos ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, que desencadearam o atual conflito.
A República Islâmica afirmou que havia retomado seus ataques contra alvos americanos no Kuwait, Bahrein e Catar, enquanto soavam sirenes na Jordânia — outro aliado dos Estados Unidos —, onde o Exército disse ter interceptado oito mísseis lançados a partir do Irã.
Os confrontos ocorreram enquanto o Irã se preparava para enterrar Khamenei, que morreu junto a familiares próximos no primeiro dia da guerra contra o Irã.
A retomada dos ataques voltou a repercutir nos preços do petróleo, e o barril de Brent do Mar do Norte subia 1,3%, a 79,05 dólares (407 reais), enquanto seu equivalente americano, o WTI, avançava 1,2%, a 74,38 dólares (383 reais), às 11h00 GMT (8h no horário de Brasília).
No último de seis dias de cerimônias fúnebres, o enterro de Khamenei nesta quinta‑feira em sua cidade natal, Mashhad, tem sido acompanhado de perto em busca de sinais de seu filho Mojtaba Khamenei, que ainda não apareceu em público desde sua nomeação como sucessor de seu pai como líder supremo.
Multidões de homens e mulheres vestidos de preto, muitos clamando por vingança, se concentraram entre faixas com palavras de ordem como "haverá sangue", informaram correspondentes da AFP.
- "Esforço para ofuscar" -
Os Estados Unidos atacaram o perímetro da única usina nuclear civil do Irã com um bombardeio nesta quinta-feira, informou a televisão estatal iraniana, citando o vice-governador da província de Bushehr.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que os ataques americanos tiveram como alvo infraestruturas civis, incluindo pontes ferroviárias, e classificou os bombardeios como um "flagrante crime de guerra".
Autoridades militares dos Estados Unidos disseram que os ataques desta quinta-feira atingiram aproximadamente 90 alvos militares iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea e depósitos de mísseis e drones.
O exército iraniano afirmou ter atacado com drones um sistema interceptador de mísseis Patriot no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e depósitos de combustível no Bahrein, como parte de suas ofensivas contra bases americanas na região.
A Guarda Revolucionária do Irã acusou os Estados Unidos de um "esforço para ofuscar" o funeral de Khamenei com seus ataques às pontes ferroviárias, que provocaram a suspensão dos serviços de trem.
Após as cerimônias fúnebres em Teerã, no centro clerical de Qom e nas cidades sagradas iraquianas de Najaf e Karbala, um avião que transportava o caixão de Khamenei pousou em Mashhad nesta quinta-feira.
As despedidas a Khamenei, que governou o Irã por mais de três décadas, ofereceram algumas pistas sobre a configuração da nova liderança, que tem buscado mostrar uma frente unida entre as figuras políticas e militares.
- "Incrivelmente frágil" -
No entanto, até agora não há sinais de Mojtaba Khamenei, que só se comunicou por escrito desde que foi nomeado e que, segundo as autoridades, ficou ferido nos bombardeios de 28 de fevereiro.
Como demonstração das tensões de segurança, pelo menos um avião de combate escoltou o avião que transportava o caixão de Khamenei até seu enterro final em Mashhad, segundo imagens divulgadas na página oficial do líder supremo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu antigo avião presidencial, o Air Force One, para deixar a Turquia após uma cúpula da Otan, em vez de seu novo avião presenteado pelo Catar, decisão que o The New York Times descreveu como uma medida de segurança no contexto atual.
Trump declarou que o cessar-fogo com o Irã estava "encerrado", mas deixou a porta aberta para novas conversas.
O chefe negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu no X que "se atacarem, serão atacados".
Nos últimos dias, as forças armadas iranianas atacaram pelo menos três navios, o que provocou intensos bombardeios americanos contra alvos iranianos na terça-feira.
O acordo do mês passado para pôr fim à guerra "parece incrivelmente frágil", mas "nem Teerã nem Washington têm opções melhores pela frente do que a via diplomática", afirmou Ellie Geranmayeh, do Conselho Europeu de Relações Exteriores.
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© Agence France-Presse
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