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Nepal tem dia de luto 13 dias após avalanche devastadora

Published on septembre 7, 2026 at 16:39

A avalanche de 26 de agosto, provocada pelo colapso parcial de uma geleira na fronteira China-Nepal, matou pelo menos 1.398 pessoas — Pedro PARDO / AFP
A avalanche de 26 de agosto, provocada pelo colapso parcial de uma geleira na fronteira China-Nepal, matou pelo menos 1.398 pessoas — Pedro PARDO / AFP

O Nepal observou, nesta segunda-feira (7), um dia de luto nacional em memória das vítimas da avalanche de 26 de agosto, enquanto cresce a impaciência das famílias dos milhares de desaparecidos.

A catástrofe, que aconteceu na fronteira entre Nepal e China, deixou pelo menos 1.399 mortos e mais de 5.500 desaparecidos, incluindo quase 800 estrangeiros, segundo os balanços mais recentes.

Na capital nepalesa, Katmandu, as bandeiras foram hasteadas a meio-mastro e centenas de pessoas participaram de vigílias com velas no 13º dia de luto, de acordo com a tradição hindu.

Entre os desaparecidos estão centenas de trabalhadores de projetos de hidrelétricas. Três pessoas (dois trabalhadores nepaleses e um chinês) foram resgatadas na sexta-feira e no sábado, o que reavivou as esperanças de encontrar mais sobreviventes.

Além disso, as equipes de emergência conseguiram retirar com vida, durante o fim de semana, uma idosa que estava presa entre os escombros de sua casa.

Pelo 13º dia consecutivo, as equipes de resgate procuram nos túneis em busca de mais sobreviventes, "com a mesma intensidade do primeiro dia", afirmou o Exército.

"Concentramos nossos esforços em três níveis: em terra, pelo ar e nos túneis", explicou à AFP um porta-voz militar, Raja Ram Basnet.

Porém, as famílias dos desaparecidos estão frustradas.

"Dizem que estão procurando, mas com que resultados? Queremos resultados", declarou Reena Amatya Shrestha, que não tem notícias de seu irmão, o geólogo Sumesh Amatya, que trabalhava nas obras da represa Trishuli-3, na fronteira com a China.

"Ainda temos muita esperança", afirmou Shrestha à AFP.

Dezenas de parentes dos trabalhadores desaparecidos se reuniram nesta segunda-feira em uma praça da capital nepalesa, Katmandu, para expressar a frustração com uma faixa que pergunta: "Quanto tempo vamos ficar esperando em casa e chorando?".

As equipes de resgate enfrentam dificuldades sem precedentes, destacou nesta segunda-feira Arnold Dix, um especialista australiano que participa das operações.

"Não se trata de uma única operação de resgate, mas potencialmente de várias que transcorrem ao mesmo tempo, em diferentes locais, cada uma com seus próprios perigos", explicou.

O presidente nepalês, Ram Chandra Paudel, visitou campos de deslocados e prometeu que as buscas continuarão. "Toda a nação está de luto por esta terrível tragédia", declarou.

Provocada pelo colapso parcial de uma geleira e de parte de uma montanha, a avalanche devastou tudo em seu caminho: estradas, pontes, residências e infraestruturas.

Segundo as autoridades, foram recuperados 1.356 corpos no Nepal e 4.994 pessoas continuam desaparecidas. Do lado chinês, o balanço é de 43 mortos e 519 desaparecidos.

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