Gael García Bernal leva a Veneza uma crítica à manipulação dos poderosos
O mexicano Gael García Bernal volta à direção em "Hombre al agua", apresentado neste domingo (6) no Festival de Veneza, uma fábula sobre a manipulação e a falsidade das classes mais poderosas que também conta com Ricky Martin no elenco.
Em seu terceiro longa como diretor, García Bernal interpreta Camilo, um salva-vidas cubano responsável e sonhador que salva um rico empresário mexicano de um afogamento. Como agradecimento, o magnata lhe oferece um bom emprego em sua fábrica em Yucatán.
Camilo acaba se casando com a filha do empresário e passa a viver em uma luxuosa mansão, mas, com o tempo, percebe que talvez os acontecimentos não tenham sido tão casuais quanto imaginava e que a influente família tem outros planos.
A trama aborda a manipulação exercida pelos mais poderosos para tirar proveito dos mais desfavorecidos.
"Estamos vivendo um momento em que tudo é cooptado para ser capitalizado", afirmou García Bernal, de 47 anos, em entrevista à AFP ao lado de Ricky Martin.
"Nós nos perguntamos como chegamos a este momento em que tudo precisa ter uma função de lucro, de capitalização, também de cooptação eleitoral, como se estivéssemos vivendo constantemente em um reality show de popularidade", acrescentou.
Exibido na mostra Spotlight, fora da competição, "Hombre al agua" também remete a governantes que manipulam suas mensagens para conquistar votos. Sem citar líderes ou países, o ator de "Amores Perros" defendeu o papel da arte no enfrentamento dessas ideologias.
Segundo García Bernal, esses movimentos temem as "expressões artísticas e culturais porque elas imediatamente diluem, rompem e desativam aquilo que eles constroem de forma precária com base no medo".
O longa também busca refletir a diversidade latino-americana, com personagens brasileiros, argentinos, mexicanos, cubanos e porto-riquenhos.
Na América Latina está "a batalha da humanidade", afirmou. "Estamos definindo muitas coisas muito interessantes e, se fizermos a nossa parte, podemos fazer isso muito bem e criar um lugar muito mais justo, mais bonito".
Ricky Martin, que também participa como produtor, faz uma pequena aparição como um ator que trabalha no filme dirigido pela mulher de Camilo.
"Foi divertido, porque ele [García Bernal] deixa você brincar, mas, ao mesmo tempo, você se sente muito protegido", contou o cantor. "Minha parte foi muito curta, mas ainda mexe comigo".
Para o astro porto-riquenho, vencedor de vários Grammys e com milhões de discos vendidos, apresentar o longa em Veneza é "maravilhoso".
"Estou diante das câmeras desde os 12 anos, mas, aos 54, poder dizer que é a primeira vez que faço parte do elenco de um filme no Festival de Veneza é muito importante para mim", afirmou.
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