Putin discute guerra na Ucrânia com enviados dos EUA
O presidente russo, Vladimir Putin, reuniu-se neste sábado (5) com os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner, com o objetivo de discutir um plano para encerrar mais de quatro anos de guerra na Ucrânia.
Rússia e Ucrânia prometeram não atacar as capitais adversárias por três dias, enquanto durarem as negociações, no momento em que Washington tenta retomar as conversas para solucionar o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Putin agradeceu ao colega Donald Trump por "não desistir" de tentar acabar com a guerra - lançada pela Rússia em 2022 -, apesar de não se tratar de algo "simples".
As conversas duraram mais de três horas e foram concluídas após as 23h locais. Neste domingo, os enviados americanos devem visitar Kiev pela primeira vez.
Um assessor do Kremlin descreveu o diálogo como "extremamente franco" e acrescentou que os enviados apresentaram "várias ideias" para encerrar a guerra. O funcionário destacou que a parte russa informou aos americanos que Moscou está certa de que poderá alcançar seus objetivos militares de assumir o controle do restante do leste da Ucrânia.
Segundo autoridades ucranianas, ataques russos mataram hoje dez pessoas, incluindo duas nos arredores de Kiev.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que propôs ontem uma trégua durante as visitas, disse que conversou com os enviados americanos e prometeu não atacar Moscou. "Até o fim do sábado, assim como no domingo e na segunda-feira, a Ucrânia está disposta a se abster de ataques contra Moscou", publicou em suas redes sociais.
Esta será a primeira vez que Witkoff e Kushner vão visitar Kiev desde que Trump iniciou seu segundo mandato, no ano passado. Viajar de avião à capital ucraniana seria uma medida incomum, uma vez que o espaço aéreo ucraniano está fechado desde 2022, devido à guerra. Os líderes e funcionários que visitam o país têm usado o trem como meio de transporte.
Putin afirmou que a Rússia vai garantir a segurança dos enviados americanos em Kiev, cidade castigada por ataques sangrentos russos nas últimas semanas. Segundo Trump, eles vão tentar avaliar se é possível alcançar um acordo de paz. "Temos uma ideia para a paz", disse o presidente americano.
A visita rara que o diretor da CIA, John Ratcliffe, fez a Moscou na semana passada gerou especulações. Segundo o Kremlin, ele se reuniu com os serviços de inteligência russos, um deslocamento que Trump descreveu como "semirotineiro".
O impulso diplomático renovado acontece no momento em que Rússia e Ucrânia se enfrentam com ataques de mísseis e drones de longo alcance, o que aumentou o número de vítimas civis a níveis que não se repetiam desde o começo dos combates.
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