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Socorristas buscam centenas de desaparecidos após inundações entre Nepal e Tibete

Published on août 27, 2026 at 05:07

Socorristas levam na pá de uma escavadeira uma pessoa resgatada da lama após as cheias registradas no  distrito de Nuwakot, em  Devghat, centro do Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Prakash Mathema / AFP
Foto aérea mostra casas parcialmente soterradas pela lama às margens de um rio após uma enchente devastadora em Trishuli Bazar, no distrito de Nuwakot, centro do Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Prabin Ranabhat / AFP
Socorristas levam na pá de uma escavadeira uma pessoa resgatada da lama após as cheias registradas no distrito de Nuwakot, em Devghat, centro do Nepal, em 26 de agosto de 2026 — Prakash Mathema / AFP

Equipes de resgate buscavam nesta quinta-feira (27) centenas de desaparecidos na fronteira entre o Nepal e o Tibete, após enchentes repentinas e deslizamentos de terra deixarem 165 mortos e arrasarem povoados.

Imagens registradas a partir do lado chinês da fronteira mostram uma parede de lama e detritos atingindo um prédio na manhã de quarta-feira, enquanto dezenas de pessoas correm para se proteger. A cheia arrastou ônibus e carros.

O desastre foi causado pelo colapso de uma geleira, que provocou um "fluxo de detritos" e "repercussões catastróficas rio abaixo", informou o Serviço Geológico americano.

O morador Raju Bhadel, 56, contou que recebeu uma ligação de seu cunhado, que estava desesperado. "Estavam chorando e disseram que sua casa havia sido destruída." Três membros da família foram resgatados, mas seu irmão estava desaparecido.

A polícia nepalesa informou ter resgatado 157 corpos, enquanto seus agentes se esforçavam para remover famílias que ainda estavam em áreas sujeitas a inundações.

A imprensa estatal chinesa reportou 3 mortos e 265 desaparecidos após um deslizamento de terra em Gyirong, centro fronteiriço do Tibete. Funcionários do governo tibetano mobilizaram quase 800 socorristas e 150 veículos, além de cães farejadores e lanchas, para ajudar nos trabalhos, informou a agência de notícias chinesa Xinhua.

Socorristas avançavam com dificuldade em meio à lama e aos escombros, após o deslizamento soterrar os andares mais baixos de prédios.

Um total de 468 turistas, 393 deles estrangeiros, continuavam desaparecidos horas após o desastre, segundo o Ministério do Turismo do Nepal. Entre eles havia indianos, além de cidadãos de Portugal, Austrália, Reino Unido, Malásia, Países Baixos, África do Sul, Coreia do Sul, Ucrânia e Estados Unidos.

David Fisher, diretor para o Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), informou que "povoados inteiros e áreas de mercado foram destruídos". A organização informou que está enviando suprimentos de emergência, incluindo cobertores, macas e sacos para cadáveres.

Especialistas advertiram que um bloqueio persistente em um rio na fronteira entre o Nepal e a China pode causar uma nova inundação.

Vídeos divulgados pela polícia nepalesa flagraram a água da enchente subindo por um rio e arrastando casas inteiras, enquanto imagens registradas pela AFP mostram o andar superior de uma casa emergindo do solo lamacento.

O exército nepalês realizou diversos sobrevoos na área e resgatou dezenas de pessoas, enquanto outras que viviam em áreas de risco perto do rio receberam ordens para deixar esses locais.

A rede chinesa CCTV informou nesta quarta-feira que "um "desastre causado por um deslizamento de terra" no lado nepalês deixou "vítimas e desaparecidos" no porto de Gyirong, no Tibete. Segundo a emissora, o presidente chinês ressaltou que "o trabalho mais urgente é fazer o possível para socorrer as pessoas desaparecidas".

Inundações e deslizamentos são frequentes no sul da Ásia na temporada das monções, durante o verão no hemisfério norte. Segundo cientistas, as mudanças climáticas aumentam a intensidade e frequência desse tipo de fenômeno meteorológico extremo na região.

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