Meio Ambiente

Altas temperaturas colocam em risco a colorida borboleta tropical, diz estudo

Published on août 26, 2026 at 01:56

Uma borboleta Morpho pousa sobre uma folha no borboletário do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais (STRI), na Cidade do Panamá, em 25 de agosto de 2026 — Martin BERNETTI / AFP
Uma borboleta Morpho pousa sobre uma folha no borboletário do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais (STRI), na Cidade do Panamá, em 25 de agosto de 2026 — Martin BERNETTI / AFP

A borboleta Morpho, famosa por suas asas azul-metálicas que inspiraram um emoji, está em risco devido às altas temperaturas, que afetam o brilho intenso com o qual ela se protege de seus predadores, apontou uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (25).

Durante a fase em que a lagarta se transforma em borboleta, o calor pode alterar o brilho das asas, indicou o estudo do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais (STRI, na sigla em inglês).

Essas borboletas têm principalmente asas azuis, embora também existam exemplares em tons marrons e alaranjados.

"Quando as borboletas foram expostas a temperaturas elevadas que simulavam as previstas em um cenário futuro de mudanças climáticas, elas emergiram com asas de coloração alterada e mais opacas", explicou à AFP a bióloga americana e principal autora da pesquisa, Juliette Rubin.

Esse brilho, alertam os cientistas, é uma arma de defesa utilizada por essa espécie para confundir seus inimigos naturais. Por isso, com cores mais opacas, elas poderiam ficar mais suscetíveis à predação por aves e outras borboletas.

"Isso poderia ter implicações importantes para sua biologia", afirmou Rubin sobre essa espécie que habita florestas e selvas tropicais do México, América Central, Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador e Peru, entre outros países.

A mudança pode inclusive fazer com que esses animais, que medem até 20 centímetros, se tornem menos atraentes para possíveis parceiros, acrescentou o relatório.

"Também observamos que as Morpho que se desenvolveram sob essas condições de calor morreram com maior frequência" durante a fase de crescimento, afirmou Rubin.

A pesquisadora disse que, para o estudo, foram expostas crisálidas de borboletas a temperaturas de 35°C durante o dia e 28°C à noite, simulando um cenário futuro de mudanças climáticas no local onde vivem.

Em seguida, elas foram comparadas com outro grupo que foi analisado sob temperaturas de 28°C tanto durante o dia quanto à noite, a temperatura média atualmente registrada nos trópicos.

"Descobrimos que as mudanças de cor induzidas pelas altas temperaturas (...) seriam detectáveis por predadores aviários", afirmou Rubin.

No entanto, acrescentou que são necessários mais estudos para determinar com exatidão o grau de ameaça que as aves representariam para as borboletas em razão de sua mudança de cor.

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