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Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral, aponta estudo

Published on août 25, 2026 at 22:33

De acordo com estudo, pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral degenerativa — RONALD MARTINEZ
De acordo com estudo, pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral degenerativa — RONALD MARTINEZ

Pelo menos um quarto dos jogadores da liga de futebol americano (NFL) pode acabar desenvolvendo uma doença cerebral degenerativa, segundo um novo estudo publicado nesta terça-feira (25) que expõe os riscos do esporte favorito dos Estados Unidos. 

A encefalopatia traumática crônica (ETC) é causada por golpes repetidos na cabeça e seus sintomas incluem comprometimento cognitivo, dificuldade para caminhar, instabilidade emocional e pensamentos suicidas.

A ETC já foi associada a esportes de contato, como futebol americano e boxe, e também foi detectada em militares expostos a explosões.

No entanto, por se tratar de uma doença que só pode ser confirmada por meio de um exame cerebral post-mortem, sua verdadeira extensão entre os jogadores da NFL continua sendo incerta.

De acordo com este novo estudo, liderado por Daniel Daneshvar, professor da Escola de Medicina de Harvard, e publicado no British Medical Journal, pesquisadores analisaram os cérebros de jogadores falecidos que haviam disputado pelo menos um jogo da NFL durante a era do capacete de plástico obrigatório, que começou em 1949.

A principal descoberta procede de pessoas que faleceram entre 2016 e 2021, quando as doações de cérebros foram mais frequentes. Das 878 mortes ocorridas nesse período, 235 indivíduos doaram seus cérebros para serem examinados, e a ETC foi confirmada em 215 deles.

Isso significa que, no mínimo, a taxa de ETC foi de 24,5%, supondo que nenhum dos cérebros não analisados apresentasse a doença. A estimativa máxima foi de 97,7%, e o valor real provavelmente situa-se em algum ponto entre esses dois extremos.

Os pesquisadores também avaliaram a gravidade da doença e encontraram uma associação entre a ETC de alto grau e a demência, sendo esta última determinada com base nos prontuários médicos dos jogadores e em entrevistas com seus familiares.

"Em conjunto, essas descobertas indicam que os jogadores da NFL apresentam uma maior prevalência de ETC no momento da morte do que a demonstrada anteriormente em diversos estudos comunitários", escreveram os autores.

"Esses dados indicam que a gravidade da ETC no momento da morte está significativamente associada à demência em jogadores da NFL que doaram seus cérebros, e que a demência é comum entre esses doadores", acrescentaram.

No entanto, os pesquisadores também reconhecem várias limitações, entre elas o fato de que nem todos os ex-jogadores da NFL que faleceram durante o período do estudo foram incluídos, e de que alguns familiares podem ter relatado sintomas de forma imprecisa ou exagerada.

Em um editorial sobre o assunto, os professores Tobias Kurth, do Centro Médico Universitário de Berlim, e Richard Riley, do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Cuidados do Reino Unido, elogiaram o desenho do estudo.

Nenhum estudo isolado consegue definir plenamente a taxa de ETC entre jogadores da NFL, mas "Daneshvar e seus colegas apresentam uma das estimativas mais informativas até o momento", observaram Kurth e Riley.

Acima de tudo, continuam os professores, é essencial comunicar periodicamente as evidências científicas aos jogadores da NFL do passado, do presente e do futuro.

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