Com poucas esperanças, Colômbia continua remoção de escombros de terremoto
A Colômbia avança neste domingo (16) na remoção dos escombros deixados pela destruição provocada há quase uma semana por um forte terremoto, com poucas chances de resgatar sobreviventes.
O ruído de retroescavadeiras, guindastes e caminhões ecoa pelas áreas mais afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 que, na segunda-feira passada, derrubou milhares de casas, edifícios, hotéis e hospitais.
Começam a ficar para trás os momentos de silêncio que acompanharam as longas jornadas de busca e resgate após o terremoto mais letal na Colômbia neste século, que deixou cerca de 300 mortos.
O terremoto ocorreu horas depois da posse do novo governo do ultradireitista Abelardo de la Espriella, que no sábado pediu a seu aliado americano Donald Trump a suspensão temporária de tarifas para ajudar o país.
O oeste da Colômbia e a região cafeeira foram os mais atingidos e, quase uma semana após a tragédia, diminuem as esperanças de encontrar sobreviventes.
Cerca de 27 mil moradias foram destruídas, segundo o balanço mais recente do órgão de atendimento a desastres. E muitos desabrigados não têm para onde ir.
Nas cidades mais afetadas pelo terremoto, muitos edifícios foram marcados com um “X” vermelho para alertar sobre o risco de desabamento e a proibição da passagem de pedestres.
Jorge León, retirado de seu apartamento, relata a “dor” de “ter que recomeçar tudo”. Ele caminha ao lado de um caminhão amarelo carregado com seus pertences em Cali.
“Parece que estou vivendo um filme ou um sonho, não consigo assimilar”, disse o advogado de 41 anos à AFP.
Acampamentos improvisados em parques servem de abrigo para famílias inteiras.
“Não pensei em nada, saí correndo e deixei tudo lá” na casa, contou Cindy Serrato, auxiliar de enfermagem de 39 anos, em uma barraca ao lado do filho.
O prefeito de Cali, Alejandro Eder, estimou que a reconstrução da terceira maior cidade da Colômbia custará pelo menos US$ 3,2 bilhões (R$ 16,7 bilhões).
A Colômbia recebeu ajuda bilionária de países como os Estados Unidos e de organismos como o Banco Mundial.
Em Cali, uma parede de um edifício de cinco andares que desabou após o terremoto foi marcada por um socorrista com um "V" vermelho cortado por uma linha horizontal, sinal que indica o fim das buscas por possíveis sobreviventes.
No entanto, socorristas voluntários se recusam a desistir de encontrar os mais de cem desaparecidos após o terremoto, embora as chances de sobrevivência caiam drasticamente depois de 72 horas.
"Apesar de terem nos dito que já se passaram muitos dias, continuamos procurando sobreviventes porque queremos continuar apostando na vida", afirmou à AFP o professor Juan Carlos Tabares, de 58 anos, que lidera com outros voluntários o ponto de resgate batizado de "Valentía".
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