'Adoravam salsa', diz primo da única sobrevivente de família devastada por terremoto na Colômbia
Ana María Saavedra está fora de perigo, mas enfrentará o grande desafio de "começar uma nova vida sem sua família" próxima, diz um primo da única sobrevivente de um lar devastado pelo forte terremoto na Colômbia.
Seu prédio em Cali, uma das cidades mais afetadas pelo tremor de magnitude 7,4, desabou.
Os pais morreram abraçados em um quarto. Ana María é trigêmea de outras duas irmãs. Uma delas ficou sob os escombros de uma escada e a outra deixou de enviar sinais quando terminaram as primeiras 72 horas do terremoto, prazo a partir do qual caem drasticamente as probabilidades de encontrar sobreviventes.
"Os vizinhos dizem que começaram a ouvir gritos de Ana María e foram imediatamente ao resgate (...) e a levaram para o hospital", relatou à AFP Carlos Augusto Saavedra, primo das jovens de 23 anos.
Ana María foi operada por uma fratura na pelve e está se recuperando, acrescentou o arquiteto de 49 anos que, junto a dezenas de pessoas, remove escombros do prédio onde a família morava.
"Ela está consciente, totalmente lúcida, falando, (mas) com limites nas redes sociais" e recebe apoio psicológico, contou.
Os médicos preveem que em duas ou três semanas ela possa voltar a caminhar.
A tragédia familiar ocorreu na mundialmente famosa capital da salsa e terceira maior cidade do país. Encontrados sob os escombros, os pais eram conhecidos por sua paixão pela música e pelo clube de futebol Deportivo Cali.
Desde segunda-feira, familiares e vizinhos iniciaram uma "mobilização impressionante de pessoas, amigos das meninas, deles, da família" para tentar encontrá-los com vida, disse Saavedra, entristecido, usando um capacete de construção.
"Por volta das 8h30 (hora local de segunda-feira) percebemos que o prédio havia desabado completamente" em uma área em que pelo menos outras três construções colapsaram por completo.
Ana María sobreviveu ao se abrigar sob uma mesa de madeira maciça. As irmãs Sofía e Isabella, seus pais Jairo e Victoria, de 63 e 61 anos, além de um tio, não tiveram a mesma sorte.
As jovens eram tão inseparáveis que frequentaram a mesma faculdade de marketing, cujo último semestre cursaram na França e voltaram juntas para Cali, onde trabalhavam.
"Eram superalegres, eram pessoas muito felizes. Gostavam muito de compartilhar momentos em família, gostavam muito de música, adoravam salsa", lembra Saavedra.
O terremoto deixou até agora um balanço de 281 mortos e quase 4.000 feridos, sobretudo nas cidades do Pacífico e na região cafeeira, no oeste do país.
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