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Netanyahu diz que Israel discorda do plano dos EUA para Gaza

Published on août 5, 2026 at 20:22

O funeral dos membros das famílias Abu Sharia e Al Hasayna, recentemente recuperados entre as ruínas no bairro de Al Sabra, na Cidade de Gaza, atingido por bombardeios israelenses, em 4 de agosto de 2026 — Omar al Qattaa / AFP
O funeral dos membros das famílias Abu Sharia e Al Hasayna, recentemente recuperados entre as ruínas no bairro de Al Sabra, na Cidade de Gaza, atingido por bombardeios israelenses, em 4 de agosto de 2026 — Omar al Qattaa / AFP

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu país discorda do plano apoiado pelos Estados Unidos que prevê o desarmamento do movimento islamista Hamas e a posterior retirada de Israel do território palestino.

Na última quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo surpreendente para encerrar a guerra em Gaza, que inclui o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses.

O movimento islamista, que governa Gaza desde 2007, confirmou poucas horas depois que aceitava o plano.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais na noite de terça-feira, Netanyahu afirmou que a equipe de Trump "acredita que pode alcançar o desarmamento do Hamas e a desmilitarização de Gaza".

"Estamos verificando isso. Eles nos enviaram um rascunho; não concordamos com ele, não é o nosso rascunho. Enviamos nossos comentários", acrescentou.

Netanyahu se reuniu na segunda-feira com o Conselho de Paz apoiado pelos Estados Unidos e recebeu garantias de que o Exército israelense só será obrigado a deixar suas posições atuais em Gaza depois que o Hamas for desarmado.

No entanto, o primeiro-ministro israelense enfrenta uma pressão crescente de seus aliados de coalizão da extrema direita para rejeitar o acordo.

Na quarta-feira, o chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que o Exército israelense continuará "atuando de maneira proativa" na Faixa de Gaza, da qual ocupa mais de 60% do território.

"Não permitiremos que uma ameaça se forme em nossas fronteiras, como a que conhecemos em 7 de outubro de 2023", e que desencadeou a guerra, disse Zamir durante uma visita às tropas israelenses no território palestino.

Dois ministros da extrema direita solicitaram na terça-feira uma nova votação sobre o plano por considerarem que ele se afasta do que havia sido discutido inicialmente.

O gabinete de segurança de Israel, do qual fazem parte os ministros das Finanças, Betsalel Smotrich, e da Colonização, Orit Struk, havia aprovado o plano de Trump, que prevê, entre outras medidas, o envio de tropas internacionais de manutenção da paz para a Faixa de Gaza.

Netanyahu está em plena campanha para as eleições primárias de seu partido, o Likud, de olho nas eleições de 27 de outubro, que prometem ser disputadas.

O pedido dos dois ministros deve ser interpretado "como uma manobra de campanha" para pressionar Netanyahu, afirmou Tal Elovits, pesquisador do centro de estudos israelense Molad.

Na prática, Israel tem dificuldades para rejeitar o plano, diante do isolamento do país no cenário internacional.

"Netanyahu não tem outra opção a não ser ouvir o único amigo que lhe resta na comunidade diplomática", ou seja, Trump, avaliou Elovits.

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