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Como uma foto da AFP se tornou símbolo do verão de incêndios na Europa

Published on juillet 29, 2026 at 16:23

A foto virou uma “alegoria” e o incômodo retrato de uma geração, segundo afirmaram veículos franceses — Maximilien LAMY / AFP
A foto virou uma “alegoria” e o incômodo retrato de uma geração, segundo afirmaram veículos franceses — Maximilien LAMY / AFP

Maximilien Lamy, editor de fotos da AFP, estava de férias com sua esposa e filha na semana passada quando fez com o celular uma série de imagens de banhistas no sudoeste da França, atingido pelos incêndios. 

Seu instinto foi fotografar, mas ele não esperava que uma de suas fotos à beira do lago desse a volta ao mundo em questão de horas. "Não achei que fosse tomar essa proporção", disse Lamy à AFP. "Estou completamente atordoado".

Ele pegou o telefone enquanto caminhava pela praia do lago, de onde tinha estacionado o carro até um restaurante na cidade turística de Lacanau.

"Aconteceu muito rápido, porque eu estava andando depressa. Minha filha estava com muita fome e me dizia: 'Pai, para de tirar fotos, já chega'", contou.

A imagem parecia "apocalíptica" e era profundamente simbólica, disse Lamy.

A foto mostra um casal de banhistas sentado em cadeiras de praia listradas sob um guarda-sol de cores vivas em uma praia. Eles observam uma enorme coluna de fumaça se erguer ao fundo, tingindo o céu com um brilho alaranjado.

O homem está com as pernas cruzadas, enquanto a mulher segura o telefone. Seus pertences estão espalhados ao redor.

A foto acabou se destacando, na mídia e nas redes sociais, como um símbolo dos devastadores incêndios na França, mas também como uma crítica à omissão diante do clima.

Alguns tentaram imaginar um diálogo entre o casal, outros sugeriram paralelos com o filme "Não Olhe para Cima" (2021), estrelado por Leonardo DiCaprio, que satiriza a apatia da sociedade diante da crise climática.

Para o jornal francês Le Figaro, a realidade transformou-se em "uma alegoria".

"A catástrofe ocupa quase toda a imagem e, no entanto, de algum modo parece relegada a segundo plano", disse o periódico, que considerou a foto como o retrato incômodo de uma geração.

Lamy disse compreender a forte repercussão. "É simplesmente um símbolo da época", afirmou esse apaixonado por fotografia de rua.

Na sua opinião, o casal parecia estar vendo como a catástrofe se desenrolava como se fosse um filme, do conforto da sua sala de estar. Mas o editor, que trabalha para a AFP há mais de 20 anos, advertiu que não se deve julgar o casal.

"Não quero culpá-los (...) Ninguém sabe o que eles realmente pensavam", sustentou.

Embora alguns internautas tenham achado que a foto havia sido gerada com IA, Lamy afirmou que ela não foi alterada, apenas as bordas foram um pouco cortadas.

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