Incêndios no Canadá desencadeiam nova ameaça tarifária de Trump e colocam em alerta a final Espanha-Argentina
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou aumentar as tarifas sobre o Canadá para cobrir o custo da poluição causada pela fumaça dos incêndios florestais, que se estendeu até Nova Jersey, onde no domingo (19) será disputada a final da Copa do Mundo.
Uma das áreas mais afetadas pelos incêndios no Canadá gerou uma imensa nuvem de fumaça que escureceu os céus das cidades vizinhas de Nova York e Nova Jersey, esta última sede da partida entre Espanha e Argentina, no MetLife Stadium em East Rutherford.
Os organizadores do Mundial "acompanham de perto a situação", declarou o diretor-executivo do grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa, Andrew Giuliani, em uma coletiva de imprensa.
Espessas colunas de fumaça provenientes do Canadá e do norte de Minnesota desencadearam alertas para a má qualidade do ar em todo os Estados Unidos. Até o momento, não houve registro de vítimas.
Um total de 937 incêndios permanecia ativo neste sábado no Canadá, a maioria fora de controle, segundo o Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais.
"Isto é 'Negligência Deliberada', e está se tornando algo que ocorre todo ano, custando aos Estados Unidos bilhões de dólares", atacou Trump em sua rede Truth Social.
O mandatário americano acusou o Canadá de "não cuidar adequadamente" de suas florestas e de não realizar "tarefas básicas de manejo florestal e remoção de resíduos".
"O custo dessa poluição precisa ser necessariamente somado às TARIFAS que o Canadá já paga atualmente", acrescentou.
O magnata republicano disse que ligaria para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, "para descobrir o que vão fazer" com a fumaça.
A ministra canadense de Gestão de Emergências, Eleanor Olszewski, afirmou que seu país estava em "contato constante" com os Estados Unidos e destacou sua "longa trajetória de colaboração no combate aos incêndios florestais".
Além disso, ressaltou que o Canadá investiu 12 bilhões de dólares (61,4 bilhões de reais) em sustentabilidade florestal e prevenção de incêndios desde 2020.
- Um país sufocado -
Detroit, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, continuava sendo a cidade mais poluída do mundo, segundo o monitor IQAir.
Washington e Chicago não ficavam muito atrás, e as autoridades pediram às pessoas que não passassem tempo ao ar livre, a menos que fosse estritamente necessário.
Em Nova Jersey e no vizinho estado de Nova York, a região metropolitana registrava um ar potencialmente prejudicial para grupos sensíveis, embora com uma melhora depois que a névoa de fumaça de quinta-feira tornou o horizonte de Manhattan quase invisível.
Peter Mullinax, meteorologista do NWS, disse à AFP que os ventos sobre os Grandes Lagos poderiam empurrar mais fumaça para o nordeste, o que poderia manter os céus enevoados.
O problema para a partida de domingo, segundo Joel Dreessen, meteorologista em Maryland, é que "alguns modelos começam a indicar que vamos começar a arrastar um pouco de fumaça" para o sul, disse à AFP.
- Toxicidade itinerante -
Em cidades de todo o Meio-Oeste e do nordeste dos Estados Unidos, as pessoas usavam máscaras ao ar livre para filtrar o ar perigoso. Em Nova York, bibliotecas e estações de trem as distribuíam gratuitamente.
Chris Carlsten, que estuda os efeitos da fumaça sobre a saúde na Universidade da Colúmbia Britânica, disse à AFP que as finas partículas poluentes dos incêndios florestais afetam especialmente os pulmões, enquanto a poluição de veículos tende a causar mais efeitos no coração.
Ele afirmou que as colunas de fumaça podem conter resíduos de tinta, plástico ou metal, além de madeira e vegetação.
A região do Michigan, Minnesota e Wisconsin, conhecida como o Alto Meio-Oeste, mais próxima dos incêndios, enfrenta um ar especialmente ruim, com índices de qualidade do ar na faixa de "perigoso".
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© Agence France-Presse
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