Argentina vence Inglaterra de virada (2-1) e vai enfrentar Espanha na final da Copa do Mundo
Mais uma vez com sofrimento e resiliência, a Argentina protagonizou uma virada de 2 a 1 sobre a Inglaterra nesta quarta-feira (15), em Atlanta, garantindo uma vaga na final da Copa do Mundo contra a Espanha, que será disputada no domingo (19).
A 'Albiceleste' vai lutar pelo tetracampeonato contra a 'Roja' em uma decisão inédita no domingo, em East Rutherford (nos arredores de Nova York), onde se espera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entregue o troféu após cinco semanas de competição.
Os atuais campeões ressurgiram das cinzas justamente contra a Inglaterra, seleção com a qual mantêm uma das maiores rivalidades do futebol.
O triunfo atraiu milhares de pessoas ao Obelisco de Buenos Aires, ponto de encontro dos torcedores apaixonados.
"Este grupo nunca para de me surpreender, de verdade. Vamos tentar vencer, vamos dar o nosso máximo, mas depois disso é muito difícil", disse o técnico Lionel Scaloni sobre a final contra a Espanha.
"É uma loucura disputar duas finais de Copa do Mundo seguidas", comemorou Messi.
Ele e seus companheiros conseguiram realizar mais um milagre ao desmontar a defesa dos 'Three Lions' no intervalo de sete minutos: primeiro com um chute de longa distância de Enzo Fernández (85') e, depois, com uma cabeçada de Lautaro Martínez já nos acréscimos (90'+2).
- Por um novo recorde... e a 4ª estrela -
Seu grande líder e figura central, Lionel Messi, participou dos dois gols: ele preparou a jogada para o chute de Fernández e, mais tarde, fez um cruzamento com o pé direito, o mais fraco, permitindo que 'El Toro' acabasse com o sonho da Inglaterra de chegar à sua primeira final em 60 anos.
Os sul-americanos já haviam se acostumado a feitos heroicos com reações nas retas finais, ao conquistarem vitórias dramáticas na fase de mata-mata contra Cabo Verde (3 a 2), Egito (3 a 2) e Suíça (3 a 1).
Em sua sexta e última Copa, o capitão da 'Albiceleste' vai igualar o ex-lateral-direito Cafu como um dos únicos jogadores a disputar três finais do principal torneio de futebol do mundo.
Messi jogou na derrota para a Alemanha no Mundial do Brasil em 2014 e na vitória sobre a França no Catar em 2022.
A Inglaterra, que marcou com Anthony Gordon (55') em sua única finalização na direção do gol, sofre uma nova decepção e agora terá de se contentar com a disputa pelo terceiro lugar contra a França, no sábado, em Miami.
"Estou arrasado. Arrasado por todos, pela equipe, comissão técnica, torcedores", admitiu Kane em entrevista à BBC One.
Se vencer a Espanha, a Argentina se tornará a primeira seleção a conquistar duas Copas do Mundo consecutivas desde o Brasil de Pelé e Garrincha, que venceu os torneios de 1958 e 1962.
- Tensão e hostilidade -
A partida desta quarta-feira em Atlanta, realizada no moderno estádio Mercedes-Benz, foi o sexto confronto em Copas do Mundo entre duas nações que nutrem uma rivalidade intensa. O jogo terminou com os jogadores argentinos cercando Messi, que não conseguiu esconder a emoção.
Essa animosidade atingiu seu auge durante a Guerra das Malvinas, em 1982, e com a atuação magistral de Diego Maradona nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, no México, em que ele protagonizou os célebres lances da 'Mano de Dios' e do 'Gol do Século' para eliminar a Inglaterra por 2 a 1.
Contudo, em solo americano, a rivalidade provou estar bem viva mais de quarenta anos depois, desta vez com Messi desempenhando o papel do 'Pibe de Oro'.
Nenhum dos hinos nacionais pôde ser ouvido: o inglês foi abafado porque os torcedores argentinos, em ampla maioria, entoavam simultaneamente o cântico futebolístico 'El que no salta es un inglés' ('Quem não pula é inglês') e o hino argentino foi vaiado pelos torcedores ingleses do início ao fim.
A hostilidade que fervilhava nas arquibancadas transbordou para o campo. E após a vitória, os vencedores exibiram uma faixa com a frase "As Malvinas são argentinas".
- Messi lidera reação mais uma vez -
O primeiro momento tenso, logo aos três minutos, foi uma entrada dura de Enzo Fernández em Elliot Anderson, uma retaliação após uma falta não punida em Messi.
O primeiro tempo foi marcado por choques e faltas, com apenas uma chance de abrir o placar: um chute de média distância de Fernández (38') que passou raspando o ângulo superior do gol de Jordan Pickford.
A 'Albiceleste', apresentando uma mudança importante na escalação, com o ponta Giuliano Simeone começando no lugar do meio-campista Rodrigo de Paul, neutralizou as duas maiores ameaças que os ingleses apresentaram na Copa de 2026: Jude Bellingham e Harry Kane.
Responsáveis por 12 dos 14 gols da equipe comandada por Thomas Tuchel, o centroavante e o meia-atacante deixaram o protagonismo de lado — pelo menos em parte — enquanto buscavam conquistar a segunda estrela para se juntar àquela obtida em 1966.
Kane iniciou a jogada que resultou no gol do 1 a 0 com um lançamento longo do meio-campo para Rogers, uma das surpresas do técnico alemão na escalação inicial.
Após recuperar a bola da defesa adversária, o meio-campista fez um cruzamento para Gordon marcar seu primeiro gol em Copas do Mundo, desviando para as redes uma bola que atravessou a área de Emiliano 'Dibu' Martínez.
Ficar em desvantagem no placar despertou a fera. Lionel Messi assumiu uma postura implacável para liderar mais uma virada histórica dos argentinos.
"Vivemos emoções especiais, acho que o grupo sentiu isso e sabíamos que não era só mais uma vitória. Foi uma vitória importante que o povo argentino desejava, e nós também", destacou Messi.
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© Agence France-Presse
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