Incêndio letal no sul da Espanha evolui favoravelmente após dois dias
Paredes escurecidas, vegetação reduzida a cinzas e quase todos os moradores evacuados. A cidade de Bédar, onde se originou um incêndio que deixou 12 mortos no sul da Espanha, lembrava neste sábado (11) uma cidade fantasma, enquanto bombeiros trabalhavam com a esperança de controlar as chamas em breve.
O incêndio evolui favoravelmente após o inferno vivido nos últimos dias por moradores dessa região da província de Almería, onde vivem muitos estrangeiros.
"O fogo não avançou hoje", comemorou no fim do dia o ministro da Presidência da Espanha, Félix Bolaños, que visitou a região. Segundo ele, a área devastada permanece em 6.600 hectares, e há uma "perspectiva favorável" de estabilizar o incêndio nas próximas horas, caso as condições não piorem.
Centenas de bombeiros, com meios aéreos e terrestres, trabalham para controlar o incêndio, já considerado um dos mais graves da história recente da Espanha.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, visitará a região na segunda-feira (13).
O fogo começou na quinta-feira (9) em Los Gallardos, uma área montanhosa do leste da Andaluzia, repleta de ravinas e casas isoladas, surpreendendo pessoas que tentavam fugir. Oito pessoas ficaram feridas e seguem hospitalizadas, quatro delas em estado mais grave, e quase 1.500 moradores foram retirados de suas casas.
"Dava para ver as chamas. Foi terrível. Muito medo. E ainda estamos sentindo isso", relatou à AFP Manoli Ramos, vereadora de Bédar.
- Inferno -
"Em 2012 houve um grande incêndio aqui. As pessoas foram evacuadas, mas no dia seguinte já puderam voltar para casa. Desta vez foi horrível. Foi um inferno", contou a mulher de 72 anos.
Segundo as autoridades, os 12 mortos foram cercados por um incêndio que avançava rapidamente enquanto tentavam fugir de carro ou a pé.
As vítimas tinham diferentes nacionalidades, informou na véspera o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
"Nunca tinha visto algo assim. Você vê isso nos filmes, mas não na vida real", disse Martin Smith, turista britânico retirado de um camping junto com a esposa.
- 'Animador' -
Após horas sem encontrar novas vítimas, as autoridades mantêm a esperança de que o balanço não aumente.
"A Guarda Civil havia vasculhado todas as áreas e nos informou que não encontrou mais ninguém. Isso não significa que não possa acontecer, mas é animador", declarou Antonio Sanz, responsável pelos serviços de emergência da Andaluzia.
Por enquanto, a Guarda Civil recebeu sete registros de desaparecimento. As autoridades afirmam que será necessário concluir as autópsias e a identificação dos corpos encontrados para estabelecer um balanço definitivo.
Bolaños afirmou que o fogo chegou a avançar 100 metros por minuto, um comportamento sem precedentes que, segundo ele, é consequência da emergência climática.
al-rs/jvb/lm
© Agence France-Presse
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