Meio Ambiente

Ciclo da água está se tornando mais imprevisível, alerta ONU

Published on septembre 17, 2026 at 11:15

O ano de 2025 foi um dos períodos mais secos para os rios em três décadas, destacou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) — ATTA KENARE / AFP
O ano de 2025 foi um dos períodos mais secos para os rios em três décadas, destacou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) — ATTA KENARE / AFP

O ciclo da água está se tornando cada vez mais imprevisível e o fenômeno El Niño deve agravar a tendência a longo prazo, alertou nesta quinta-feira (17) a ONU.

O ano de 2025 foi um dos períodos mais secos para os rios em três décadas, destacou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em seu relatório anual sobre o Estado dos Recursos Hídricos Mundiais.

Além disso, em 2025, um dos anos mais quentes já registrados, as geleiras também sofreram reduções em todas as regiões. Os níveis de águas subterrâneas em muitas partes do mundo estão em queda há vários anos, explicou a OMM.

No relatório, a organização indica que as reservas de água doce da Terra, ou seja, a quantidade total de água armazenada em aquíferos, lagos e rios, umidade do solo, vegetação, assim como em gelo e neve, continuam em queda, uma tendência que se prolonga há uma década.

Alguns elementos do ciclo da água mudam rapidamente, como as precipitações, a vazão dos rios e a umidade do solo, e respondem às condições meteorológicas em questão de dias ou semanas.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, expressou preocupação com o declínio das "reservas lentas", como as águas subterrâneas e as geleiras, que tradicionalmente têm funcionado como uma "conta poupança" para o planeta.

As reservas têm servido como um "colchão que absorve os anos ruins, de modo que uma única seca ou uma única estação seca não se traduza diretamente em uma crise hídrica", declarou à imprensa.

Agora "estamos esgotando a poupança", advertiu. "Estamos gastando nossas reservas", enfatizou.

As geleiras também registram uma redução em ritmo vertiginoso, e 2025 será o quarto ano consecutivo em que perdem uma quantidade importante de massa de gelo em todas as regiões.

O relatório aponta que, entre 2023 e 2025, as geleiras perderam uma massa glacial mundial acumulada de 1.400 gigatoneladas de água, próximo de um terço das extrações anuais de água doce do mundo.

"As águas subterrâneas contam uma história semelhante: quase dois terços dos poços monitorados em todo o mundo apresentaram condições fora da norma histórica em 2025", afirmou Celeste Saulo.

De modo paralelo, destacou que estão acontecendo "mais desastres relacionados à água". Ela citou o atual padrão do El Niño, que deve ser o mais forte desde o início dos registros, há quatro décadas.

O El Niño é a fase quente de um ciclo climático natural que ocorre a cada dois a sete anos e se caracteriza por temperaturas oceânicas acima da média em todo o Oceano Pacífico, o que provoca mudanças em escala mundial nos padrões de ventos e precipitações e um clima imprevisível.

"O fortalecimento do El Niño aumentará o risco de seca em algumas áreas e de enchentes em outras", advertiu a secretária-geral da OMM.

Mesmo antes de o El Niño ser percebido, os rios em todo o mundo já apresentavam vazões "anormais", indicou a OMM, sendo 2025 um dos três anos mais secos para os rios em 35 anos.

Pelo sétimo ano consecutivo, o número de bacias fluviais no mundo com condições "normais" foi claramente minoritário em 2025, com 36%.

A OMM ressaltou a importância de contar com bons dados para mapear a evolução do ciclo da água.

"O tempo não respeita fronteiras, e isso é especialmente verdadeiro no caso da água", afirmou Celeste Saulo, que defendeu a importância de "dados compartilhados, normas compartilhadas e alertas precoces compartilhados".

"Um desastre em um país pode provocar devastação em outro, como vimos com a recente tragédia da China e do Nepal", disse a secretária-geral da OMM.

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