'O fogo te devora', diz morador evacuado pelo incêndio sem precedentes perto de Madri
"O fogo te devora. Ou você sai correndo ou ele queima suas calças", relata Ecologio Cabrera sobre o incêndio que obrigou a evacuar milhares de pessoas no oeste de Madri, e alerta para o "perigo da fumaça" para a respiração.
Em seus 29 anos vivendo em Aldea del Fresno, a cerca de cinquenta quilômetros do centro da capital espanhola, "nunca vivi nada parecido", afirma esse aposentado de 86 anos.
Segundo as autoridades regionais, cerca de 6.000 hectares já foram carbonizados desde quinta-feira.
Em declarações à AFP, Cabrera conta como os bombeiros o tiraram às pressas de casa.
"Eles chegaram, mandaram todos para fora, saímos só com a roupa do corpo e aqui estamos só com a roupa do corpo. Ou seja, não deu tempo de pegar nada. Corremos perigo lá por causa da fumaça. Então aqui estamos, aguentando", afirmou de um ginásio de Villamanta.
O octogenário também afirma ter sentido muito "medo" por sua filha, moradora de um município próximo, "onde tudo pegou fogo". "Tenho uma filha em Villa del Prado. Tudo queimou", relata.
Ele descreve uma corrida contra o relógio para evitar que as chamas alcançassem a casa da filha, que esperou a chegada dos bombeiros enquanto borrifava água, "com mangueiras de jardim", em sua casa e nos arredores com a família.
"Ainda bem que estavam lá com mangueiras, jogando água até os bombeiros chegarem. Eles se salvaram por isso", conta.
Mercedes García, dona de casa de 69 anos, também está entre as evacuadas. A polícia e a Guarda Civil a retiraram de sua residência no começo da tarde de quinta-feira.
Ela tem dificuldades de locomoção e usa um andador. No ginásio municipal onde foi acolhida, passou a noite em um colchão inflável de piscina, enquanto seu marido adormeceu em uma cadeira.
"O que aconteceu aqui é inacreditável", diz, ainda abalada com os acontecimentos. "Todo o povoado foi evacuado", ou seja, "cerca de 3.500 habitantes", explica o vereador Félix Hernández.
"Tenho 53 anos e já vi incêndios importantes, mas um tão grande como este, não", afirma, expressando seu "temor" diante dos acontecimentos.
A poucos quilômetros dali, o povoado de Villa del Prado (cerca de 8.000 habitantes) não foi evacuado, mas permanece confinado, aguardando com ansiedade uma melhora da situação, que piorou ao meio-dia com a junção dos dois incêndios da região.
"As lágrimas caem não só por mim, mas por todos", lamenta Mariano González, aposentado de 67 anos, contatado por telefone pela AFP, descrevendo o cenários de "desolação" que o cerca.
Ao acordar, "era como se tivesse havido um dia de neblina", conta depois de levar o cachorro para passear. "É muito difícil de descrever", "todo mundo usava máscaras".
"Tudo o que eu vejo, olho para cima, olho para baixo, atrás, na frente, e está tudo preto...", continua.
E acrescenta, com a voz trêmula: "Havia um bosque de oliveiras centenárias na minha frente: pegou fogo, os troncos desabaram. havia pinheiros centenários na frente (...) estão todos carbonizados. É uma dor enorme".
Latest stories
Jornal Sinner e Djokovic desistem do Masters 1000 de Montreal
O italiano Jannik Sinner e o sérvio Novak Djokovic não vão participar do Masters 1000 de Montreal em agosto, anunciaram nesta sexta-feira (24) os organizadores do torneio, que perde...
Jornal Karim Khan é destituído de suas funções como procurador do TPI
A Assembleia dos 125 Estados-membros do Tribunal Penal Internacional (CPI) decidiu, nesta sexta-feira (24), destituir o procurador-geral Karim Khan, acusado de agressão sexual contra uma integrante de sua equipe...
Jornal Tribunal dos EUA considera ilegais barreiras contra pílula abortiva
Um tribunal federal dos Estados Unidos, no estado da Virgínia, decidiu que as restrições impostas pelo governo de Donald Trump a uma pílula abortiva são...