Ministro do STF suspende diretor-geral da PF em meio a crise no Judiciário
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou, nesta terça-feira (8), a suspensão do diretor-geral da Polícia Federal (PF), em um novo episódio da crise desencadeada por um enorme esquema de fraude que abala o país a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais.
A crise teve origem na semana passada, quando um relatório policial revelou mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, nas quais pedia ajuda para frear a investigação que pouco depois levou à sua prisão por suspeita de fraude.
Este relatório foi divulgado pelo ministro André Mendonça, relator do caso do agora liquidado Banco Master, do qual Vorcaro era proprietário.
No novo episódio desta terça-feira, Mendonça acusou a Polícia Federal de ter espionado ilegalmente suas próprias ações como ministro por meio de relatórios de inteligência secretos.
Em sua decisão, à qual a AFP teve acesso, Mendonça classificou como de "superlativa gravidade" a vigilância de que foi alvo e comparou o episódio ao romance distópico "1984", de George Orwell.
O magistrado decidiu pela "suspensão cautelar" do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, bem como do chefe de inteligência do órgão, Leandro Almada da Costa.
Segundo Mendonça, os relatórios da PF eram anônimos e sem rigor técnico, além de conterem especulações sobre a vida política e pessoal de ministros e funcionários, algo que ele considerou uma violação à independência judicial.
Os relatórios citados foram divulgados por Moraes, em uma decisão na qual acusou Mendonça de "abuso de autoridade".
Uma fonte do governo Lula informou a jornalistas, incluindo a AFP, que a Advocacia-Geral da União (AGU) deverá recorrer da suspensão de Rodrigues nas próximas horas.
O inédito embate no STF se agrava a menos de um mês das eleições de outubro, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentará a reeleição frente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Mendonça foi indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), pai de Flávio, que apoiou a decisão do ministro.
“Grupo especial de Lula na Polícia Federal desmascarado oficialmente”, escreveu o candidato no X.
Flávio Bolsonaro comemorou o que definiu como o retorno da “autonomia” da PF para “ir atrás de bandidos, e não de adversários políticos de Lula”.
No campo do presidente, a interpretação foi oposta. “O Brasil está mergulhando em um crise institucional sem precedentes na história do país”, declarou à AFP Marco Aurélio de Carvalho, coordenador jurídico da campanha de Lula.
“Não podemos permitir que funções públicas sejam novamente capturadas por interesses políticos e eleitorais”, acrescentou Carvalho.
O diretor-geral interino da PF, William Murad, por sua vez, reiterou a “total confiança” da instituição em Rodrigues.
Os demais 11 chefes de divisões da corporação colocaram seus cargos à disposição e criticaram as “narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais” que levaram ao afastamento, segundo uma carta obtida pela AFP.
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