Zona do euro retoma o crescimento apesar do conflito no Oriente Médio
A economia da zona do euro cresceu no segundo trimestre, impulsionada pela recuperação da atividade na França e na Irlanda após um início de ano ruim e apesar do impacto do conflito no Oriente Médio.
O Produto Interno Bruto (PIB) dos 21 países que compartilham a moeda única aumentou 0,4% entre abril e junho na comparação com o trimestre anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela agência Eurostat.
O resultado supera as expectativas dos economistas consultados pela agência Bloomberg, que previam um aumento de 0,2%.
A atividade econômica recupera o impulso positivo depois de registrar uma estagnação nos três primeiros meses do ano, segundo os dados revisados da Eurostat, que inicialmente havia informado uma leve contração do PIB entre janeiro e março.
A economia europeia demonstra uma resistência maior do que se esperava, apesar do conflito no Oriente Médio, que provocou um forte aumento dos preços da energia e perturbou as cadeias de suprimentos em alguns setores.
Os resultados do crescimento da zona do euro, no entanto, voltaram a ser condicionados pelos movimentos erráticos da economia irlandesa, que registrou um aumento do PIB de 3,9% no segundo trimestre, após uma queda de 7% no trimestre anterior.
As flutuações intensas não estão relacionadas com a economia subjacente, e sim com operações puramente contábeis de multinacionais que estabeleceram suas sedes europeias na ilha para aproveitar as vantajosas condições fiscais oferecidas às empresas.
O restante da Eurozona mostrou uma resiliência melhor do que se esperava. A Alemanha, a principal economia da região, teve crescimento de 0,2% entre abril e junho, enquanto a França voltou à trajetória de alta (+0,2% também), após uma contração de 0,1% no primeiro trimestre. Na Espanha, o PIB cresceu 0,7% no segundo trimestre.
No conjunto dos 27 países da União Europeia, o PIB cresceu 0,5% na comparação com o trimestre anterior, o que também mostra um avanço, após uma leve alta de 0,1% nos primeiros três meses do ano.
Apesar do impacto energético ligado ao Irã, "prevemos um crescimento ao redor de 0,25% por trimestre" até meados de 2027, comentou Andrew Kenningham, economista-chefe para a Europa da Capital Economics.
Os números alimentarão os debates dentro do Banco Central Europeu (BCE), dividido entre a missão de zelar pela estabilidade dos preços na zona do euro e o receio de travar o frágil crescimento na Europa.
A instituição optou pela cautela na semana passada e não modificou as taxas básicas de juros, depois de aumentá-las em junho pela primeira vez desde 2023 para tentar conter a inflação.
Porém, alguns integrantes da instituição defenderam um novo aumento, o que estimulou as especulações entre economistas sobre uma nova alta na próxima reunião de política monetária, programada para setembro.
De modo geral, os novos dados tornam um aumento "cada vez mais provável", opinou Rory Fennessy, da empresa de consultoria Oxford Economics.
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