Protestam na Venezuela contra sigilo nas negociações entre governo interino e oposição
Dezenas de pessoas protestaram nesta quarta-feira (12) em Caracas contra o sigilo em torno do diálogo entre um setor da oposição venezuelana e o governo interino de Delcy Rodríguez, que conta com o apoio dos Estados Unidos em meio aos esforços por uma transição democrática.
As delegações lideradas por Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, e por Dinorah Figuera, líder da bancada oposicionista que conquistou a maioria na Assembleia Nacional em 2015, devem concluir nesta quarta-feira a primeira rodada de conversas, iniciada em 6 de agosto.
A líder oposicionista e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, não participa do diálogo. Ela está exilada no Panamá.
"Que a Dinorah saia", gritavam em coro os manifestantes, com uma bandeira venezuelana erguida. Eles reclamam do sigilo que tem marcado as conversas.
"Queremos ouvir o diálogo dela (...) nós a queremos aqui fora", disse à AFP Luis Antonio Correa, um vigilante de 54 anos.
"Queremos que libertem os presos políticos, (que aumentem) o nosso salário (...), e que nos ajudem a resolver este problema", reivindicou o homem, insistindo que "não obtivemos absolutamente nada para nós" desde que Nicolás Maduro foi derrubado em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro.
As negociações ocorrem sete meses depois que Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina, cargo que exerce sob forte pressão de Washington.
As partes convocaram os jornalistas nesta quarta-feira, ao fim de seis dias de negociações a portas fechadas, durante os quais Figuera se reuniu separadamente com representantes de presos políticos, aposentados e do sindicato dos jornalistas. Nos diferentes encontros, ela prometeu levar suas reivindicações à mesa de diálogo.
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