O controle espanhol contra a garra argentina: dois estilos frente a frente
Rigor metódico contra uma fúria emocional, a força do coletivo contra um sistema construído em torno de uma superestrela como Lionel Messi, mas também duas seleções que sabem superar limites: a final da Copa do Mundo, no próximo domingo (19), coloca frente a frente Espanha e Argentina, dois modelos tão distintos quanto consolidados.
- A posse de bola espanhola contra a garra argentina -
O estilo de jogo da Espanha é amplamente conhecido: a posse de bola é fundamental, às vezes em excesso, e a troca de passes com um ou dois toques se tornou uma marca registrada da equipe desde a Eurocopa de 2008.
Nesta Copa do Mundo, as sequências de passes foram inofensivas na estreia contra Cabo Verde (0 a 0), mas a fórmula ganhou intensidade e eficácia na sequência, impulsionada pelo trio formado por Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo, o "melhor" meio-campo do mundo, segundo o técnico Luis de la Fuente.
O segundo gol na semifinal contra a França (2 a 0), marcado por Pedro Porro, foi o desfecho de uma série de cerca de 20 passes que começou na área da Espanha e foi iniciada por Dani Olmo.
Por sua vez, a Argentina chegou à final adotando um estilo de jogo mais direto e, sobretudo, demonstrando uma capacidade impressionante de se manter firme enquanto caminha na corda bamba, independentemente do roteiro da partida.
Contra Cabo Verde, na fase de 16-avos de final, e contra a Suíça, nas quartas, a equipe teve que ir à prorrogação, mas o fim da linha quase chegou nas oitavas, contra o Egito: os norte-africanos venciam 2 a 0 a pouco mais de dez minutos para o apito final, mas a 'Albiceleste' conseguiu a virada e venceu por 3 a 2.
Algo parecido aconteceu na semifinal contra a Inglaterra, que saiu na frente no início do segundo tempo: a Argentina buscou a virada com gols nos minutos finais, vencendo por 2 a 1 graças a Enzo Martínez e Lautaro Martínez, ambos com assistência de Messi.
"Eles jogam como se tivessem sete ou oito anos. Não se perguntam 'E se eu errar?' ou 'E se formos eliminados?'. Eles não pensam nisso, só em jogar futebol", disse o técnico Lionel Scaloni após a semifinal contra os ingleses.
- Messi e seus soldados contra a força coletiva -
Oito vezes vencedor da Bola de Ouro e no Olimpo dos maiores jogadores de todos os tempos, Lionel Messi é a referência absoluta da Argentina, onde tem status quase sagrado.
Com oito gols e quatro assistências em sete jogos, ele continua a surpreender o mundo aos 39 anos.
Mesmo sem marcar na semifinal, Messi foi fundamental com suas duas assistências na virada. Nos momentos difíceis, o camisa 10 assume o papel de líder para que seus companheiros não desmoronem.
Tudo na seleção argentina, em termos de jogo ou na parte emocional, passa por ele, o que contrasta com a campanha da Espanha nesta Copa do Mundo, na qual o jogador cotado para ser a grande estrela, Lamine Yamal, tem tido um desempenho muito mais discreto, marcando apenas um gol até o momento.
Mas a força espanhola não partiu de nenhum nome individualmente, e sim do coletivo.
"Enfrentamos uma das melhores seleções do mundo, mas eles tiveram pela frente a melhor equipe do mundo, esse é o segredo: somos uma equipe", declarou De La Fuente depois da vitória sobre a França na semifinal.
- Jogando no limite -
Empurrões pelas costas, cotoveladas e entradas que beiravam o limite das regras: os argentinos se mostraram firmes, por vezes jogando de forma dura, contra os ingleses, provocando duras críticas da imprensa britânica, a ponto de o The Telegraph contabilizar "31 golpes desleais" por parte dos adversários.
Depois de virar o placar, os jogadores da Argentina passaram a fazer cera, aproveitando a vantagem. O goleiro Emiliano Martínez chegou a fingir dores na parte posterior da coxa para retardar o reinício da partida, uma atitude que enfureceu os ingleses.
Três dos 11 titulares da Argentina na quarta-feira eram jogadores do Atlético de Madrid. O técnico Diego Simeone incutiu um espírito argentino no clube espanhol, algo que o elenco da 'Roja' conhece bem.
A seleção espanhola também não é um time que se deixa intimidar facilmente.
Contra a França, Rodri e seus companheiros pararam o jogo quando necessário para quebrar a transição dos adversários, terminando a partida com 12 faltas cometidas, apenas três a menos do que a Argentina contra a Inglaterra.
Os espanhóis também mexeram com o emocional dos franceses, como fez o goleiro Unai Simón, provocando Mbappé até o astro do Real Madrid cometer uma falta nos minutos finais.
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© Agence France-Presse
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