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'Mayo' Zambada, o último dos grandes traficantes mexicanos a enfrentar seu destino nos EUA

Published on Julho 20, 2026 at 14:46

Ismael "El Mayo" Zambada passou de trabalhador rural pobre a um dos chefes do crime mais poderosos do mundo — Handout / AFP
Ismael "El Mayo" Zambada passou de trabalhador rural pobre a um dos chefes do crime mais poderosos do mundo — Handout / AFP

Ismael "Mayo" Zambada, cofundador do Cartel de Sinaloa, que deverá conhecer sua sentença nos Estados Unidos nesta segunda-feira (20) por tráfico de drogas e crime organizado, é o último dos chefões históricos do tráfico de drogas mexicano a ser julgado. 

Zambada foi preso nos Estados Unidos em 26 de julho de 2024 após supostamente ter sido atraído para lá sob falsos pretextos. Está preso nos EUA desde então e, há quase um ano, se declarou culpado das acusações.

O homem, apelidado de "senhor do chapéu", é o último dos narcotraficantes históricos do México a conhecer seu destino. Ele pode ser condenado à prisão perpétua.

Seu ex-parceiro, Joaquín "El Chapo" Guzmán, já cumpre pena de prisão perpétua nos Estados Unidos, e o líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração, Nemesio Oseguera "El Mencho", morreu em fevereiro durante uma operação do exército mexicano para capturá-lo.

Apesar disso, o México não se livrou da violência do crime.

Uma guerra interna no Cartel de Sinaloa entre os herdeiros de "El Mayo" e os filhos de "El Chapo" deixou cerca de 2.000 mortos.

Os primeiros acusam os últimos de traição por entregar Zambada aos Estados Unidos durante uma operação controversa que ainda gera questionamentos dois anos depois.

A história de sua prisão tensionou as relações entre os governos de Claudia Sheinbaum e Donald Trump.

Sua sentença será proferida por um tribunal do Brooklyn, em meio às acusações de tráfico de drogas apresentadas pela Justiça dos EUA contra o governador suspenso de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, membro do partido de Sheinbaum.

O próprio "El Mayo" afirmou em uma carta que foi sequestrado no México por um dos filhos de "El Chapo" e levado contra sua vontade para os Estados Unidos.

O governo mexicano alega que a prisão de Zambada foi resultado de uma operação secreta das autoridades americanas em território mexicano, o que constituiria uma violação de sua soberania.

Os Estados Unidos negaram qualquer envolvimento no sequestro.

No entanto, a recente exibição do avião em que "El Mayo" chegou aos EUA, como parte de uma exposição de artefatos usados em operações do FBI, levou o México a exigir explicações sobre a presença não autorizada do FBI em território mexicano.

Zambada era um narcotraficante esquivo que, durante anos, tentou manter um perfil discreto.

Ao contrário de "El Chapo", Zambada nunca foi preso no México.

Ele iniciou sua carreira criminosa trabalhando para o Cartel de Juárez nas décadas de 1980 e 1990. Com o declínio de outros cartéis, formou sua própria organização.

Em 2010, ele concedeu uma breve entrevista à revista mexicana Proceso, na qual alguns detalhes sobre si foram revelados, como o fato de ter começado a cometer crimes aos 16 anos.

Ele também afirmou que, durante sua carreira no crime, sentiu que o Exército mexicano esteve perto de capturá-lo em quatro ocasiões e que a ideia de ser preso o enchia de "pânico".

Nessa entrevista, Zambada declarou que sua prisão ou morte não mudariam nada no cenário do narcotráfico no México, onde a violência deixou cerca de 450 mil mortos e mais de 130 mil desaparecidos desde que o governo declarou guerra aberta às drogas com envolvimento militar, em 2006.

"Um dia, decido me entregar ao governo para que me executem. Meu caso deve ser exemplar, uma lição para todos. Eles me executam e a euforia toma conta. Mas, com o passar dos dias, percebemos que nada mudou", estimou.

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