Javier Bardem e Penélope Cruz brilham em Veneza com 'Bunker' e sua crise conjugal
Os espanhóis Javier Bardem e Penélope Cruz, um dos casais mais famosos do cinema, apresentaram nesta terça-feira (8) no Festival de Veneza o seu aguardado filme "Bunker", sobre um casal em crise após quase duas décadas juntos.
O longa-metragem conta a história de Miguel, um conhecido arquiteto que cogita aceitar a construção de um bunker de sobrevivência para um bilionário do setor de tecnologia. Sua esposa, Sofia, por outro lado, não vê com bons olhos o lucrativo projeto, o que desperta nela dúvidas sobre o marido. A relação que eles têm há 17 anos está por um fio.
As coincidências entre os personagens fictícios e os intérpretes, que se casaram em 2010 e têm dois filhos, são um dos atrativos do filme.
Mas Bardem, ao ser questionado se o que se via na tela parecia com sua vida real, respondeu: "Nada. Somos muito bons em criar ficção e realidade. Do contrário, não teríamos sobrevivido a este trabalho".
Para Cruz, o que ela mais gostou na história foi sobretudo a parte mais comprometida de seu personagem.
"Havia vários temas que me interessavam, mas havia um que tornava isso necessário para mim, que é poder dar voz a essa mulher que diz tantas coisas que se parecem muito com o que eu penso", explicou à imprensa.
"É uma mistura de pena e raiva [...] As pessoas que tomam as decisões mais importantes, talvez possamos contá-las nos dedos de duas mãos, ou até de uma só. Esse nível de manipulação me parece muito triste", disse.
Para o cineasta francês Florian Zeller, autor também do roteiro, somente eles poderiam encarnar esse casal em crise.
"Desde o início, eu queria tê-los juntos na tela. Porque achei que seria uma forma única de captar algo especial como um casal de verdade", comentou. "Levar a realidade e a ficção ao limite".
Zeller, que ganhou fama com o renomado "Meu pai", se inspirou em outro célebre filme com um então casal de famosos, "De olhos bem fechados", de Stanley Kubrick, com Tom Cruise e Nicole Kidman.
Bardem, de 57 anos, e Cruz, de 52, trabalharam juntos em quase 10 filmes, mas nenhum deles interpretando personagens casados um com o outro.
Vencedores do Oscar de Melhor Atriz e Ator Coadjuvante, os espanhóis são figuras habituais no Lido.
Ela ganhou a Copa Volpi por seu papel em "Mães Paralelas" (2021), de Pedro Almodóvar, e ele conquistou o prêmio principal por "Mar adentro" (2004) e "Antes do Anoitecer" (2000), um duplo do qual poucos atores podem se orgulhar.
Além do glamour do casal no tapete vermelho, o outro destaque do dia será "Musk", um documentário de mais de três horas sobre a vida do influente bilionário e dono da Tesla e da SpaceX.
O longa tem direção do vencedor do Oscar Alex Gibney, cujos filmes anteriores denunciaram os abusos e a corrupção do Exército americano.
"Sem dúvida é um ataque. Gibney é incapaz de fazer outra coisa", afirmou Elon Musk no mês passado na rede social X, o que antecipa que o documentário causará alvoroço.
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