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Irã ataca países do Golfo e fecha Ormuz após ofensiva dos Estados Unidos

Published on Julho 12, 2026 at 15:28

Um porta-contêineres no Golfo de Omã, em 28 de junho de 2026
Um porta-contêineres no Golfo de Omã, em 28 de junho de 2026
Irã ataca países do Golfo e fecha Ormuz após ofensiva dos Estados Unidos

O Irã lançou mísseis e drones neste domingo (12) contra seus vizinhos do Golfo e anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos em resposta a disparos iranianos contra um navio, um novo agravamento do cenário que deixa a trégua ainda mais distante.

Diante da atual situação, o chefe da diplomacia do Paquistão e mediador no conflito, Ishaq Dar, pediu às partes uma "desescalada" e que demonstrem "moderação".

A tensão aumentou consideravelmente neste domingo na região quando Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos relataram ataques aéreos contra seus territórios. Além disso, explosões foram ouvidas no Catar.

As autoridades de Doha confirmaram que interceptaram mísseis, enquanto Teerã anunciou que atacou uma base aérea americana no emirado "em resposta aos ataques contínuos" dos Estados Unidos.

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, reivindicou um raro ataque contra Omã, ao anunciar que destruiu bases de apoio logístico aos porta-aviões americanos no porto de Duqm, segundo a agência Irib.

Mascate convocou o embaixador iraniano e apresentou um protesto formal, um gesto incomum por parte do sultanato, que até agora tentava manter uma posição equidistante entre Washington e Teerã.

O ataque aconteceu poucas horas após a visita do chanceler iraniano a Omã para conversar sobre o Estreito de Ormuz, um importante ponto de discórdia no conflito.

A Jordânia também informou ter sido alvo neste domingo de três mísseis iranianos que não provocaram danos.

Algumas horas antes, o Irã anunciou um ataque contra um navio no Estreito de Ormuz que "tentou seguir uma rota não autorizada".

"Um navio que havia colocado em risco a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingido por disparos de advertência e interceptado", informou a Guarda Revolucionária.

 

- "Irã tomou uma decisão ruim" -

Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, o ataque aconteceu 17 quilômetros ao leste da península de Musandam, em Omã, e provocou um incêndio a bordo, o que levou a tripulação a abandonar a embarcação em um bote salva-vidas.

O Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que 11 cidadãos do país estavam na embarcação - 10 foram resgatados e um está desaparecido.

Em resposta à ofensiva, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que atingiu 140 alvos no Irã, a terceira série de ataques na última semana.

A imprensa iraniana informou que um militar morreu nos ataques americanos na cidade de Jask. Também relatou explosões no sul do país, em Bandar Abbas, Sirik e na ilha de Qeshm, assim como na província de Khuzestan, na fronteira com o Iraque.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que "o Irã tomou uma decisão ruim" e "vai pagar" o preço.

Segundo o Centcom, a embarcação atingida pelo Irã é o M/V GFS Galaxy, um porta-contêineres com bandeira do Chipre.

 

- Estreito de Ormuz fechado -

Após o incidente, o Irã anunciou novamente o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita, em tempos normais, 20% do petróleo e gás consumidos no planeta.

"O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso e até o fim das intervenções americanas nesta região", afirmou a Guarda Revolucionária, ao anunciar outro ataque contra "um segundo navio que violou as normas" na passagem marítima.

Teerã autorizou apenas um corredor de navegação por esta rota marítima, próximo às costas do país, e descarta a possibilidade de retornar à situação anterior à guerra, quando havia livre trânsito na região.

O controle do estreito virou um elemento crucial para o Irã. Mohsen Rezai, conselheiro militar do líder supremo iraniano, declarou neste domingo que "esta passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atômicas", em uma referência ao programa nuclear do país.

Estados Unidos e Irã assinaram em 17 de junho um protocolo de acordo em que estabeleceram 60 dias de trégua para negociar o fim da guerra, iniciada em  28 de fevereiro por um ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

O presidente americano, Donald Trump, declarou esta semana que o cessar-fogo "acabou" devido aos ataques iranianos contra embarcações, embora tenha autorizado a continuidade das negociações com Teerã.

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou no sábado que a "vingança é inevitável", após o funeral de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, morto nos ataques de 28 de fevereiro.

 

bur/san/hme/mmy/pc/fp

© Agence France-Presse

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