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Inglaterra volta ao Azteca de seus pesadelos após 40 anos

Published on Julho 3, 2026 at 02:38

Vista aérea do Estádio Azteca, na Cidade do México, em 18 de maio de 2026.
Braçadeira usada pelo lendário craque argentino Diego Armando Maradona durante a partida das quartas de final da Copa do Mundo de 1986 contra a Inglaterra, em exibição no edifício Sotheby's Breuer, em Nova York, em 1º de julho de 2026.
Jogadores da seleção mexicana comemoram um gol de Raúl Jiménez durante a partida da fase de 16-avos da Copa do Mundo entre México e Equador, no Estádio Azteca, na Cidade do México, em 30 de junho de 2026.
Vista aérea do Estádio Azteca, na Cidade do México, em 18 de maio de 2026.
Inglaterra volta ao Azteca de seus pesadelos após 40 anos

A Inglaterra vai enfrentar, no Estádio Azteca, uma seleção mexicana inspirada, valendo uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. Para os ingleses, retornar a este templo do futebol significa reviver um fantasma de 40 anos, um torneio marcado por jogadas extraordinárias e uma certa mão divina. 

É o mesmo palco onde, na tarde de 22 de junho de 1986, eles enfrentaram a Argentina de Diego Armando Maradona, uma partida que entrou para a história do futebol.

'El Pibe de Oro' não apenas vingou ressentimentos que transcendiam o esporte ao marcar o gol que abriu o placar com a polêmica 'Mano de Dios' ('Mão de Deus'), mas também coroou sua atuação com o feito batizado de 'Gol do Século', driblando cinco jogadores ingleses em uma arrancada magistral.

Agora, eles retornam ao Azteca para enfrentar o México, um dos países-sede, e uma torcida local conhecida por ser implacável com os adversários. 

"Pode ser uma das partidas mais bonitas e emocionantes que se possa imaginar. Estamos jogando contra o México no Azteca", disse o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, observando que a adaptação à altitude de 2.240 metros da capital mexicana seria "simplesmente impossível".

"Outros obstáculos podem surgir, mas estamos preparados para isso".

- "Curar uma cicatriz" -

Tuchel não falou sobre as memórias daquela partida contra a Argentina, disputada quando ele tinha 12 anos e antes mesmo de estrelas como Harry Kane ou Jude Bellingham terem nascido. 

No entanto, o comentarista esportivo Antonio Rosique observou que seria "uma oportunidade de curar uma cicatriz ou deixá-la para trás". 

"O retorno da Inglaterra à Cidade do México, e ao Estádio Azteca, 40 anos depois é mais do que apenas uma partida. É um retorno a uma memória, a um lugar de assuntos inacabados, a um palco onde fantasmas ainda pairam", disse ele à AFP. 

A Inglaterra não conquista o título mundial desde 1966, torneio no qual, aliás, derrotou o México por 2 a 0 na fase de grupos. Mas a derrota de 1986 deixou uma cicatriz profunda.

Antonio Moreno, responsável pelo Hall da Fama do Futebol Internacional em Pachuca, prestou uma homenagem, em novembro passado, a Gary Lineker, o astro britânico e artilheiro daquele torneio. 

O ex-atacante impôs "uma única condição" para aceitar o convite: "Eu vou... mas só se vocês garantirem que eu possa visitar o Estádio Azteca novamente. Não vou lá há 40 anos". 

O enorme estádio estava fechado na época para reformas visando à Copa do Mundo, mas Moreno conseguiu obter uma autorização para a visita. 

Usando um capacete de segurança, Lineker voltou a pisar naquele gramado. "Ele quase chorou", recordou Moreno, jornalista que cobriu a Copa do Mundo de 1986.

- Azteca "intimidador" -

As lembranças daquela partida também incluem a rivalidade feroz entre torcedores argentinos e os temidos 'hooligans' britânicos, que protagonizaram confrontos violentos envolvendo queima de bandeiras, brigas corporais e arremesso de garrafas. 

Após o jogo, a AFP noticiou que torcedores ingleses emboscaram os argentinos em uma avenida próxima, desencadeando uma nova briga. Torcedores mexicanos se juntaram aos sul-americanos, equilibrando as forças em um confronto que deixou dezenas de feridos. 

"Havia uma rivalidade que ia além do campo. Eu diria até que era uma questão política", observou Moreno, referindo-se à guerra de 1982 entre os dois países pelas Ilhas Malvinas. 

Hoje não há conflito que prejudique a relação entre mexicanos e ingleses, mas isso não significa que a partida será tranquila.

A torcida da casa se tornou o temível "12º jogador", com comemorações eufóricas após cada vitória, reunindo até um milhão de pessoas na capital na terça-feira e gerando uma energia avassaladora dentro do estádio. 

Além disso, o México nunca perdeu uma partida de Copa do Mundo no Azteca e não sofreu nenhum gol nesta edição do torneio. 

"É selvagem! A atmosfera criada e a conexão com a seleção mexicana neste momento não têm precedentes", destacou Rosique. 

"Com o México jogando lá, o Azteca é realmente intimidador, é assustador. Vira uma coisa que vai além do simples futebol", acrescentou. 

"Entrar no Azteca durante uma Copa do Mundo para enfrentar o México é, agora, um fator que joga a favor" do time da casa, concordou Moreno.

jla/jt/mcd/iga/aam/cb

© Agence France-Presse

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