Meio Ambiente

Europa teve ao menos 12 mil mortes adicionais durante onda de calor em junho, segundo análise da AFP

Published on Julho 16, 2026 at 20:07

"Até onde sabemos, não há outras causas para esta mortalidade excessiva além do calor, e isto é bastante dramático", explicou à AFP o epidemiologista Lasse Vestergaard — Thomas SAMSON / AFP
Mapa que mostra as temperaturas máximas a 2 metros do nível do solo registradas em 24 de junho de 2026 na Europa, com base em dados do MARSMet do Observatório Europeu da Seca (EDO). Dados cartográficos: NASA, Jaxa, Gebco, OSM. — Sylvie HUSSON, Sabrina BLANCHARD / AFP
"Até onde sabemos, não há outras causas para esta mortalidade excessiva além do calor, e isto é bastante dramático", explicou à AFP o epidemiologista Lasse Vestergaard — Thomas SAMSON / AFP
Europa teve ao menos 12 mil mortes adicionais durante onda de calor em junho, segundo análise da AFP

Pelo menos 12 mil mortes adicionais foram registradas em uma dezena de países europeus durante a onda de calor de junho, segundo uma compilação de dados oficiais realizada pela AFP, um balanço preliminar que pode aumentar à medida que as estatísticas forem completadas.

Entre 22 e 28 de junho, período em que a onda de calor alcançou seu ponto máximo em vários países, os institutos nacionais de Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Países Baixos, Suíça e Luxemburgo registraram cerca de 10 mil mortes acima do esperado.

A este número se somam 2.200 mortes relacionadas com a onda de calor na Inglaterra e em Gales, segundo estimativas publicadas pelo serviço meteorológico britânico, o Met Office, que abrangem um período levemente mais amplo, de 18 a 28 de junho. 

Os dados preliminares da plataforma europeia de monitoramento da sobremortalidade EuroMOMO também indicam um aumento significativo durante esta última semana de junho, com 14.260 mortes acima do esperado.

Este modelo estatístico se baseia nos dados oficiais de 24 países que representam cerca de 400 milhões de habitantes.

"O verão ainda não terminou", advertiu, nesta quinta-feira, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri Kluge. "Contamos com as ferramentas para evitar estas mortes". 

Atualmente, "governos demais seguem considerando o calor como um fenômeno meteorológico em vez de uma emergência de saúde pública", acrescentou em um comunicado.

 

- "Dramático" - 

 

Até o momento, esta semana de junho é a que registra um maior excesso de mortalidade desde que começaram estes registros harmonizados da EuroMOMO em 2020.

De todas as semanas do verão boreal nos últimos sete anos, esta "semana 26" de 2026 só é superada por outra, em julho de 2022, durante a pandemia de covid-19.

"Até onde sabemos, não há outras causas para esta mortalidade excessiva além do calor, e isto é bastante dramático", explicou à AFP Lasse Vestergaard, epidemiologista do centro de pesquisas dinamarquês Statens Serum Institut e coordenador da EuroMOMO.

O especialista qualifica esta tendência como "muito incomum", mas pede cautela na interpretação dos números mais recentes. A EuroMOMO considera que são necessárias quatro semanas para consolidar as estimativas.

As ondas de calor de junho teriam sido quase impossíveis sem as mudanças climáticas, de acordo com o grupo de cientistas World Weather Attribution.

 

- Milhares de mortos na Alemanha - 

 

Os métodos utilizados para contabilizar o excesso de mortalidade pelo calor costumam diferir entre os países.

No caso da Espanha, o sistema de vigilância da mortalidade do Centro Nacional de Epidemiologia utilizado pelo Ministério da Saúde, atribuiu 610 mortes ao calor entre 22 e 28 de junho, das quais quase dois terços corresponderam a pessoas maiores de 85 anos.

A Alemanha registrou 5.780 mortes adicionais durante a semana 26 do ano em comparação com a média dos três anos anteriores, segundo cálculos baseados em dados do Escritório Federal de Estatística (Destatis).

Em comparação com as duas semanas anteriores, o Destatis contabilizou 7.100 mortes adicionais.

Na França, foram registradas mais de 2 mil mortes adicionais nessa mesma semana em comparação com a anterior, segundo a Agência Nacional de Saúde Pública. 

Na Bélgica, o instituto científico público Sciensano registrou 750 mortes excedentes apenas entre 27 e 28 de junho de um total de 1.747 entre 18 de junho e 1º de julho, um número recorde durante uma onda de calor no século XXI. 

Uma análise da AFP dos dados do Instituto Holandês de Saúde Pública e Meio Ambiente (RIVM) mostra quase 600 mortes acima do esperado nos Países Baixos entre 22 e 28 de junho, e cerca de 220 na Suíça durante o mesmo período, segundo números do Escritório Federal de Estatística. 

Vários países da Europa Central e do Leste também afetados pela onda de calor de junho, entre eles Eslováquia e Hungria, ainda não publicaram dados preliminares.

 

lam-olb/ys/an/pc/mvv/am

© Agence France-Presse

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