Jornal

EUA volta a atacar Irã após Trump prometer forte retaliação

Published on Julho 9, 2026 at 00:55

Embarcações são vistas na costa do terminal de Khor Fakkan, um importante porto dos Emirados Árabes Unidos próximo a Omã, na mesma região onde três petroleiros foram atingidos
Trump alerta que atacará Irã 'com muita força esta noite'
Embarcações são vistas na costa do terminal de Khor Fakkan, um importante porto dos Emirados Árabes Unidos próximo a Omã, na mesma região onde três petroleiros foram atingidos
EUA volta a atacar Irã após Trump prometer forte retaliação

Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o Irã nesta quarta-feira (8), após a promessa do presidente Donald Trump de atacar "com muita força" a república islâmica.

Embora Trump tenha ordenado a retaliação contra Teerã pelos ataques a navios no Estreito de Ormuz, também disse que espera que a nova investida de bombardeios termine em breve e deixou a porta aberta para novas conversas.

As forças americanas "começaram a realizar ataques adicionais contra o Irã para reduzir ainda mais sua capacidade de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz", afirmou o Comando Central dos Estados Unidos no X.

Washington "responsabiliza o Irã pela recente agressão injustificada contra o transporte comercial", indicou.

A agência de notícias iraniana Irna informou que explosões foram ouvidas nas cidades portuárias de Bandar Abbas, Konarak e Chabahar.

"Isto é uma represália pelo bombardeio de navios de ontem por parte do Irã. Se voltar a acontecer, será muito pior", escreveu Trump nas redes sociais ao lado de uma imagem de um aparente bombardeio em um local iraniano.

Antes de ordenar os ataques, o presidente americano havia dito que o cessar-fogo com o Irã estava encerrado. Os mediadores Paquistão e Catar pediram uma desescalada, assim como as Nações Unidas.

O Estreito de Ormuz continua sendo um ponto crítico no conflito do Oriente Médio, que começou no fim de fevereiro com ataques americanos e israelenses que mataram Ali Khamenei, então líder supremo do Irã.

Teerã quer controlar essa via marítima crucial por meio da cobrança de taxas e advertiu que atacará navios que não respeitarem os corredores autorizados.

Desde junho, a república islâmica está em negociações com Washington para encontrar uma solução duradoura para a guerra.

Os bombardeios atribuídos ao Irã contra pelo menos três embarcações nos últimos dias desencadearam uma ofensiva americana contra alvos iranianos na terça-feira. Teerã respondeu atacando países do Golfo, aliados de Washington.

"No que diz respeito a mim, acabou", declarou Trump nesta quarta-feira, durante a cúpula da Otan na Turquia, ao ser questionado se a trégua com o Irã ainda permanecia em vigor.

Além disso, advertiu: "Esta noite vamos atacá-los com força" e, mais tarde, afirmou que esperava que os confrontos terminassem rapidamente.

Suas declarações impulsionaram os preços do petróleo e o barril de Brent do Mar do Norte saltou 5,21%, para 78,02 dólares. Ao longo do dia, chegou inclusive a superar a barreira dos 80 dólares, algo que não ocorria havia mais de duas semanas.

- "Reduzir a escalada" -

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou as partes a "adotarem medidas imediatas para reduzir a escalada" e a retomarem o diálogo.

O Irã informou que seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o primeiro-ministro do Catar conversaram por telefone nesta quarta-feira e "ressaltaram a importância de usar os meios diplomáticos para resolver os problemas regionais".

Segundo a agência estatal Irna, um membro da Guarda Revolucionária morreu. O Ministério das Relações Exteriores disse que locais de monitoramento e observação haviam sido atingidos na costa sul.

Pelo menos oito efetivos das Forças Armadas iranianas morreram nos ataques dos Estados Unidos, informou a imprensa estatal.

O comando americano no Oriente Médio (Centcom) afirmou que suas forças atacaram mais de 80 alvos, entre eles sistemas de defesa antiaérea iranianos, instalações de radar costeiro e 60 embarcações leves da Guarda Revolucionária.

Os bombardeios tinham como objetivo imediatamente "degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o comércio internacional que transita por essa rota estratégica para o comércio mundial", afirmou.

- "O fantasma da guerra voltou" -

A resposta iraniana não tardou. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado ataques contra dezenas de instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein.

Nawal Saad, uma funcionária do Bahrein, expressou sua angústia após acordar com os alertas antiaéreos.

"O fantasma da guerra volta a pairar sobre nós", lamentou.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de cometerem "graves" violações do acordo entre ambos os países, incluindo a reimposição de sanções ao petróleo iraniano.

Washington revogou as isenções que permitiam determinadas vendas de petróleo enquanto continuam as negociações sobre um acordo definitivo para o conflito.

"As ações do Irã no estreito foram totalmente inaceitáveis para os Estados Unidos e terão consequências", declarou a um funcionário americano à AFP.

A Organização Marítima Internacional (OMI) informou nesta quarta-feira que cerca de 6 mil marinheiros permanecem bloqueados no Golfo devido ao conflito no Oriente Médio e condenou a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã.

burs-axn/ris/meb/avl-an/pb/lm/aa/am/ic

© Agence France-Presse

Tópicos relacionados
  • Mundo
  • Portugues
  • Jornal

Latest stories