Espanha e França combatem incêndios antes de nova onda de calor
Bombeiros da Espanha e da França vivem horas críticas nesta terça-feira (28) para conter os incêndios florestais de proporções históricas que afetaram milhares de pessoas, antes da chegada de uma nova onda de calor.
Após vários dias de angústia, as autoridades expressaram um otimismo moderado nas últimas horas nos dois países, que somam mais de 120.000 hectares queimados, centenas de casas destruídas e centenas de milhares de moradores e turistas desalojados.
O governo espanhol mantém desde a semana passada o estado de emergência nacional devido a alguns dos piores incêndios florestais da história, que afetam a região de Madri, as províncias vizinhas de Ávila e Toledo e a área de Castellón, no leste do país.
"Hoje podemos ficar um pouco mais tranquilos, mas estamos em horas críticas, falamos de um momento fundamental em que é necessário trabalhar para antecipar a chegada de uma nova onda de calor", declarou nesta terça-feira o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Os serviços meteorológicos dos dois países preveem um aumento das temperaturas, acompanhado de ventos que podem reavivar as chamas.
Em Aldea del Fresno, 50 km ao oeste de Madri, dezenas de moradores formaram uma fila de carros com a esperança de receber autorização da Guarda Civil para voltar para suas casas.
"Não deixam passar por causa da fumaça, dizem que há muita fumaça e que nem com máscara dá para respirar", disse Galia Borisova, empregada doméstica de 55 anos, que foi obrigada a deixar seus animais para trás e sofre muito com "a situação deles".
As árvores próximas à rodovia que leva à cidade foram consumidas pelas chamas.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que o país começa a ver a luz no "fim do túnel", mas destacou que ainda restam "horas especialmente complexas" pela frente.
Alguns moradores foram autorizados a retornar para suas casas, algumas reduzidas a cinzas.
"Perdemos tudo", declarou à AFP María Ángeles Cañete, de 54 anos. Ao lado do marido, ela era proprietária do camping 'Pantano del Burguillo', em Ávila, e de outro nas proximidades. "Não temos nada".
Na França, o grande incêndio que devastou 42.000 hectares no sudoeste do país, perto de Bordeaux, foi "estabilizado", mas o aumento previsto das temperaturas pode agravar o cenário.
As autoridades retiraram nesta terça-feira outras 4.000 pessoas de hospedagens turísticas em Lacanau. Desde 22 de julho, 220.000 foram obrigadas a abandonar a região afetada pelo incêndio, o mais intenso desde 1949.
Desde janeiro, 92.000 hectares foram queimados no país, um recorde em 20 anos, segundo o sistema europeu EFFIS. Na Espanha, o número sobe para 207.000 hectares desde o início do ano, muito perto do máximo histórico.
Nos dois países, os incêndios são consequência da maior inflamabilidade das florestas e da vegetação devido à seca e às ondas de calor excepcionais registradas desde junho, fruto das mudanças climáticas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu na segunda-feira que "as próximas semanas serão difíceis".
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