Jornal

'Emergência humanitária' no enclave espanhol de Ceuta após entrada em massa de migrantes do Marrocos

Published on Julho 30, 2026 at 17:24

Migrantes caminham perto da cerca fronteiriça entre Marrocos e a cidade autônoma espanhola de Ceuta, enquanto agentes da Guarda Civil patrulham a área, em 19 de maio de 2021 — Antonio Sempere / AFP
Migrantes caminham perto da cerca fronteiriça entre Marrocos e a cidade autônoma espanhola de Ceuta, enquanto agentes da Guarda Civil patrulham a área, em 19 de maio de 2021 — Antonio Sempere / AFP

Centenas de migrantes entraram, nesta quinta-feira (30), a partir do Marrocos, no enclave espanhol de Ceuta, na África, juntando-se aos 1.500 que o fizeram nos últimos dias, enquanto as autoridades da cidade alertam para uma "emergência humanitária".

Ceuta e o outro enclave espanhol, Melilla, no Marrocos, são as únicas fronteiras terrestres que a União Europeia tem com a África.

Centenas de pessoas entraram em massa, ao meio-dia desta quinta-feira, por uma passagem fronteiriça no sul deste território de 18,5 km², enquanto agentes da Guarda Civil espanhola se limitavam a observar, constatou uma jornalista da AFP.

Este é a maior entrada de pessoas em Ceuta desde maio de 2021, quando mais de 10 mil migrantes chegaram, em apenas dois dias, à cidade autônoma vindos do Marrocos.

Muitos migrantes chegaram felizes nesta quinta-feira, comemorando a chegada e agradecendo à polícia espanhola, enquanto alguns gritavam "Adeus Marrocos, olá Espanha!", indicou a jornalista da AFP, que observou em uma praia várias boias redondas e roupas abandonadas por aqueles que chegaram nadando.

Imagens de emissoras locais mostraram dezenas de homens e adolescentes chegando pelo mar, vindos do vizinho Marrocos, à costa da cidade.

O governo espanhol rapidamente destacou, em um comunicado do Ministério do Interior, que havia concordado com Rabat em tomar medidas para devolver "o mais rápido possível" para Marrocos "todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta".

"Estamos em uma situação de absoluta emergência humanitária e social", alertou o prefeito-presidente de Ceuta, Juan Vivas, à televisão pública espanhola TVE.

"Nos últimos dias, chegaram a Ceuta por via marítima mais de 1.500 migrantes", a um ritmo de "200 pessoas por dia", razão pela qual "os centros de acolhimento encontram-se colapsados e saturados", afirmou.

Centenas de pessoas, incluindo menores, reuniram-se no início da tarde desta quinta-feira na fronteira entre a cidade marroquina de Fnideq (Castillejos) e Ceuta, tentando atravessar ilegalmente a fronteira a nado ou escalando a cerca, observou um jornalista da AFP.

As pessoas chegaram após rumores de que a fronteira seria aberta ao amanhecer desta quinta-feira, de acordo com depoimentos recolhidos no local pelo correspondente.

"O Governo da Espanha está totalmente empenhado em dar uma resposta imediata à situação em Ceuta. Estamos mobilizando todos os recursos necessários, trabalhando com as autoridades marroquinas e internacionais e preparando as medidas necessárias para recuperar a normalidade o mais rápido possível", declarou o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, no X.

O mandatário socialista conversou, ao longo do dia, com Vivas, que lhe expôs "com total clareza e crueza a gravidade da situação", segundo indicou o Governo de Ceuta.

O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, viajará à cidade autônoma na sexta-feira (31) "para acompanhar a evolução da situação", indicou seu gabinete.

O Ministério do Interior destacou "a colaboração da Espanha com Marrocos em todos os âmbitos, inclusive em matéria migratória", ao apontar as "redes de tráfico de pessoas" como responsáveis pelas entradas em massa.

Até 15 de julho, o governo não havia registrado nenhum imigrante que tivesse chegado a Ceuta por mar neste ano.

A principal rota de entrada dos migrantes irregulares na Espanha continua sendo o arquipélago atlântica das Canárias, em frente à costa da África.

Latest stories