Dirigente comemora evolução do futebol feminino no Brasil: "Hoje temos várias Martas"
Independentemente de a lendária Marta disputar ou não a Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil, o evento servirá como uma "vitrine" para novas gerações de talentos no país, disse à AFP Cris Gambaré, coordenadora de seleções femininas da Confederação Brasileira de Futebol.
Gambaré comemora o momento de jogadoras como Kerolin, contratada no início do mês pelo Barcelona por 1,2 milhão de euros (cerca de R$ 7,2 milhões na cotação atual, valor recorde para uma jogadora brasileira), e Amanda Gutierres, atleta do Boston Legacy na NWSL dos Estados Unidos.
"Hoje nós temos várias Martas", comentou a dirigente na quarta-feira, em entrevista à AFP em São Paulo.
"Arthur Elias (técnico da seleção brasileira feminina) e sua comissão técnica confiam nos novos talentos e buscam o entrosamento entre as mais jovens e as mais experientes. E um trabalho bonito está surgindo", acrescentou Gambaré durante o fórum "Comunidade do Futebol Feminino Brasileiro", organizado pela agência FSports.
Ao lado de nomes em ascensão como Kerolin, vêm ganhando espaço promessas como Dudinha, Tainá Maranhão e Kaylane.
Marta, que fará 41 anos em fevereiro, poderá disputar sua sétima Copa do Mundo, após ter participado das edições de 2003, 2007, 2011, 2015, 2019 e 2023, detendo o recorde de 17 gols marcados.
O Brasil, pentacampeão mundial no futebol masculino, ainda não conquistou o título no feminino.
Gambaré destaca o trabalho de Arthur Elias, com quem trabalhou na época em que era diretora de futebol feminino do Corinthians, clube referência no futebol feminino sul-americano, com seis títulos da Copa Libertadores.
"Ele é diferenciado" e "a comissão dele é diferenciada", disse ela. "Eles tratam as atletas como seres humanos, como pessoas, como mulheres. E eles sabem o potencial que tem o Brasil do futebol. E ele só traz, ele só resgata e tira delas a alegria de jogar".
O sorteio da Copa do Mundo feminina, a primeira a ser realizada na América do Sul, entre 24 de junho e 25 de julho do próximo ano, acontecerá em 11 de dezembro.
"Não é um marcador, eu acho que é um motivador de novas rotas (...). Nós não estamos trabalhando só para o Brasil, estamos trabalhando para a América do Sul", comentou Gambaré.
Ela considera que o grande desafio do evento é transformar a Copa do Mundo em um "impulso" para o desenvolvimento das categorias de base em toda a região, que está atrás dos Estados Unidos e das potências europeias no futebol feminino.
O maior "legado" que o evento pode deixar seria a "construção" de estruturas mais sólidas nas categorias de base, ressaltou.
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