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Ao menos 72 migrantes morreram durante tentativa de entrar em Ceuta

Published on Agosto 2, 2026 at 22:52

Dezenas de milhares de pessoas entraram no enclave espanhol a partir do Marrocos na semana passada — Abdel Majid BZIOUAT / AFP
Dezenas de milhares de pessoas entraram no enclave espanhol a partir do Marrocos na semana passada — Abdel Majid BZIOUAT / AFP

Pelo menos 72 pessoas morreram ao tentar entrar em Ceuta a partir do Marrocos, informou a Espanha, após uma onda migratória sem precedentes para esse enclave espanhol no norte da África, que neste domingo (2) permanecia sob vigilância da polícia e do Exército.

A maioria das cerca de 60 mil pessoas que entraram em Ceuta já retornou ao Marrocos.

"O último dado que temos é de 72", declarou aos jornalistas o delegado do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, ao ser questionado sobre o número de mortos. O balanço anterior era de 67 vítimas fatais.

Mais tarde, neste domingo, o Ministério do Interior de Marrocos divulgou seu primeiro balanço, contabilizando onze mortos: dez por afogamento e um ao cair de uma área rochosa.

A polícia e as tropas espanholas patrulhavam as ruas de Ceuta neste domingo, enquanto o enclave retornava à normalidade após o fluxo repentino de migrantes procedentes do Marrocos.

Poucos migrantes continuavam em Ceuta depois que muitos dos que atravessaram a pequena cerca fronteiriça retornaram voluntariamente ao Marrocos em 48 horas.

A maior entrada em massa de migrantes no enclave desencadeou uma crise internacional para a Espanha. Vários aliados europeus criticaram Madri por suas políticas favoráveis à regularização de migrantes.

O papa Leão XIV fez uma breve referência neste domingo à crise em Ceuta, durante a bênção do Angelus.

"Sigo com preocupação a alarmante situação em Ceuta. Pedindo a Deus, por meio da intercessão de Nosso Senhor da África, que se possam encontrar soluções de paz, de estabilidade e de justiça".

A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) relatou "quase 130 vítimas" e dezenas de desaparecidos. A organização pediu a abertura de uma investigação independente sobre as causas do fluxo de migrantes entre a cidade marroquina de Castillejos e a espanhola Ceuta.

A AMDH condenou o "silêncio inquietante das autoridades e das instituições" do país e considerou que a falta de resposta contribuiu para o fluxo.

Uma fonte próxima da organização declarou à AFP que "a forma como os fatos ocorreram" sugere que as chegadas à fronteira não teriam acontecido "sem o acordo das autoridades" marroquinas.

As autoridades marroquinas não divulgaram um balanço de vítimas nem o número de detenções efetuadas durante os confrontos de sexta-feira entre a polícia marroquina e os jovens. Também não se pronunciaram sobre a crise.

Pequenas embarcações infláveis de uma unidade de resgate monitoravam as águas ao redor da cerca fronteiriça que avança pelo Mar Mediterrâneo, onde uma nova barreira de 500 metros, com boias, reforçava a segurança.

A Espanha atribuiu a crise a grupos criminosos que divulgaram boatos de que uma recente sentença do Supremo Tribunal do país sobre imigração facilitaria a entrada dos migrantes.

Alguns analistas sugeriram que o governo do Marrocos pode ter permitido a travessia dos migrantes para exercer pressão diplomática sobre a Espanha, que recentemente melhorou suas relações com a vizinha Argélia, rival de Rabat.

A União Europeia anunciou uma reunião por videoconferência na terça-feira, depois que 22 membros do bloco publicaram uma carta aberta e pediram uma resposta rápida, coordenada, para evitar novas entradas descontroladas de migrantes sem documentos.

A Itália suspendeu o acordo de Schengen com a Espanha, que permite a livre circulação sem visto entre fronteiras, a partir de sábado e por um mês.

Na prática, a decisão significa apenas controles para cidadãos não europeus que chegam da Espanha e não para os espanhóis que viajam à Itália.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou, em uma carta aos líderes da UE, a reação "egoísta" de alguns países do bloco.

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