Harald V, rei e 'símbolo' da Noruega, morre aos 89 anos
O rei Harald V da Noruega, o mais velho dos monarcas europeus, faleceu nesta sexta-feira (28) aos 89 anos, anunciou o Palácio Real, e seu filho Haakon o sucedeu automaticamente no trono.
"Com profunda tristeza, anunciamos que Sua Majestade, o rei Harald, nos deixou hoje. O rei Harald faleceu pacificamente no hospital nacional (Rikshospitalet) na sexta-feira, 28 de agosto, às 6h35" (1h35 de Brasília), afirma o comunicado divulgado pelo palácio.
O rei sofria de anemia hemolítica, uma condição que provoca uma redução anormalmente rápida dos glóbulos vermelhos.
Apesar dos reiterados problemas de saúde dos últimos anos, ele se recusou a abdicar do trono, alegando que havia jurado seu cargo vitalício diante do Parlamento.
Desde quinta-feira, quase toda a família acompanhava o monarca, hospitalizado desde 17 de agosto, incluindo o filho de sua nora e nova rainha Mette-Marit, Marius Borg Høiby, condenado recentemente a quatro anos de prisão por dois estupros.
Após o anúncio, na quinta-feira, de que o estado de saúde do monarca era "extremamente grave", muitos cidadãos depositaram flores diante do Palácio Real em homenagem ao rei.
"Claro que é triste. É um símbolo do nosso país. E, naturalmente, é triste que algo tão bonito chegue ao fim", disse à AFP Maja Otvik, de 36 anos.
"Muitos de nós temos a sensação de que perdemos o avô de toda a nação", declarou à AFP Caroline Vagle, especialista em realeza do jornal SE og Hør.
Após o anúncio do falecimento, a bandeira do palácio foi hasteada a meio-mastro.
Com a morte de Harald V, o herdeiro do trono, o príncipe Haakon, 53 anos, torna-se automaticamente rei. Sua filha Ingrid Alexandra, de 22 anos, é a princesa herdeira.
O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre expressou sua "profunda tristeza" e o governo decretou luto nacional até o dia do funeral.
As casas reais europeias prestaram homenagem ao falecido monarca, que era parente das famílias reinantes da Inglaterra e da Espanha.
Charles III elogiou a "cordialidade e humildade" de seu "querido primo" Harald, enquanto a Casa Real espanhola enalteceu sua "dedicação incansável ao serviço da Noruega e de seu povo, antes e durante seus 35 anos de reinado".
Também foram divulgadas mensagens de condolências e homenagens dos reis dos Países Baixos, Bélgica, Suécia e Dinamarca.
Harald V subiu ao trono da Noruega em 1991, após a morte de seu pai, Olav, e passou a representar uma Noruega aberta e tolerante.
"Os noruegueses são meninas que amam meninas, meninos que amam meninos, e meninas e meninos que se amam entre si", disse em 2016 em um discurso por ocasião de seus 25 anos como rei. "Os noruegueses acreditam em Deus, em Alá, no Universo e em nada", acrescentou.
A família real enfrentou vários escândalos nos últimos anos, dois deles relacionados a Mette-Marit.
Em janeiro, a divulgação de arquivos relacionados ao criminoso sexual americano Jeffrey Epstein revelou a até então desconhecida amizade que ele tinha com a princesa Mette-Marit, esposa de Haakon.
Entre as mensagens, havia algumas formuladas em tom íntimo, entre 2011 e 2014, quando o financista americano já havia sido condenado em seu país por solicitar serviços sexuais de uma menor de idade.
A princesa, afetada por uma doença pulmonar incurável que a obrigou a receber um transplante de pulmão em junho, também enfrenta os problemas judiciais de seu filho Marius Borg Høiby, nascido em 2001 de uma relação anterior ao casamento com Haakon.
O jovem de 29 anos foi condenado em junho a quatro anos de prisão por dois estupros — um deles cometido em 2018 na residência oficial de sua mãe e do príncipe herdeiro — e outros 32 crimes.
Ele recorreu da condenação e, à espera do novo julgamento, cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
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