Trump anuncia "guerra econômica" contra Irã e ameaça parceiros com represálias
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) uma nova campanha de pressão econômica contra o Irã e ameaçou com consequências "tremendas" qualquer país que ajude ou faça negócios com a República Islâmica.
As declarações do presidente republicano ocorrem no momento em que a guerra entre Washington e Teerã se aproxima do sexto mês, sem perspectiva de uma solução para o conflito.
Trump também enfrenta um renovado escrutínio político interno por causa da guerra, com as eleições legislativas de meio de mandato marcadas para novembro.
"Hoje anuncio A OPERAÇÃO ECONÔMICA MAIS ESMAGADORA JÁ EMPREENDIDA CONTRA QUALQUER PAÍS! Será uma guerra econômica e um isolamento em uma escala sem precedentes", escreveu Trump na Truth Social.
"Também anuncio que QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de tábua de salvação ao Irã enfrentará, por sua vez, TREMENDAS consequências econômicas", acrescentou.
O presidente americano não deu detalhes sobre quais tipos de punições os países enfrentariam. Tampouco mencionou qualquer país específico em sua publicação.
Seus comentários foram feitos quase uma semana depois de o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmar que os Estados Unidos imporiam ao Irã um isolamento econômico “como o mundo nunca viu antes”.
O Irã adotou um tom desafiador depois de resistir durante meses a operações militares dos Estados Unidos que não conseguiram encerrar a guerra de forma decisiva.
Após os ataques israelenses e americanos contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã respondeu com bombardeios contra países vizinhos aliados de Washington e bloqueou o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de hidrocarbonetos. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Apesar de uma recente redução das hostilidades, as tensões na região permanecem elevadas.
Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de ter lançado, na terça-feira, dois mísseis balísticos que caíram no mar e tinham como alvo a navegação marítima. O Irã negou ter disparado mísseis no Golfo e rejeitou “categoricamente” as acusações.
Em seguida, a diplomacia dos Emirados anunciou a suspensão, até novo aviso, dos “intercâmbios comerciais” e das “transações financeiras” com o Irã.
Mais cedo nesta quarta-feira, Teerã ameaçou os países do Golfo que prestem qualquer tipo de apoio ao Exército dos Estados Unidos.
“Qualquer assistência ou facilitação prestada ao exército agressor americano equivale a uma participação nas operações militares americanas”, afirmou o general Ali Abdollahi, chefe das Forças Armadas, em comunicado divulgado pela agência Mehr.
Os dois países, separados pelo Estreito de Ormuz, compartilham profundos laços culturais e históricos. Até o início do conflito, os Emirados Árabes Unidos eram um importante parceiro comercial do Irã, que já estava submetido a sanções americanas.
Trump declarou na terça-feira que “não há diálogo nem negociações em andamento, nem tampouco estão previstas, com a República Islâmica do Irã”.
Segundo uma fonte americana ouvida pela AFP, esses contatos foram suspensos, e Trump pediu às suas equipes que não retomem o diálogo enquanto Teerã não se aproximar das posições defendidas por Washington.
As autoridades iranianas deram poucos sinais nesse sentido. O negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o estreito não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo de acordo assinado em junho.
O texto, que estabelecia uma trégua de 60 dias com vistas a um acordo duradouro, foi destruído pela retomada das hostilidades em julho.
Durante uma viagem ao Iraque nesta quarta-feira, Ghalibaf defendeu a importância de fortalecer “a nova ordem” regional e denunciou a “ingerência estrangeira”.
Ao mesmo tempo, Irã e Omã, cujas costas se estendem ao longo do Estreito de Ormuz, discutem há várias semanas a futura gestão dessa passagem.
O Irã, que ataca embarcações que tentam atravessar o estreito sem solicitar autorização, quer impor tarifas de navegação pelos serviços prestados aos navios que transitam pela região, medida à qual os Estados Unidos e alguns países da região se opõem firmemente.
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