França ordena expulsão de comentarista russa de televisão
A França ordenou a expulsão da comentarista russa de televisão Xenia Fedorova, considerada pelas autoridades uma "propagandista" próxima ao presidente russo, Vladimir Putin, informou nesta quarta-feira (29) à AFP o Ministério do Interior.
Fedorova, de 45 anos, é a ex-diretora da filial francesa do canal estatal russo RT, proibido na França após a invasão russa da Ucrânia em 2022. Embora a RT France tenha encerrado suas atividades em 2023, a comentarista não desapareceu da cena pública.
Fedorova tornou-se comentarista nos meios de comunicação do bilionário conservador Vincent Bolloré — a emissora de televisão CNews, a rádio Europe 1 e o dominical Le Journal du Dimanche —, nos quais difunde a retórica do Kremlin sobre a Ucrânia e os países ocidentais.
A decisão de expulsá-la ocorre a menos de um ano da próxima eleição presidencial, para a qual o centrista Emmanuel Macron não pode se candidatar. A líder de extrema direita Marine Le Pen lidera as pesquisas.
De acordo com a ordem de expulsão, revelada pelo jornal Libération, "seu comportamento atenta contra os interesses fundamentais do Estado" e sua presença na França constitui "uma ameaça particularmente grave e atual à ordem pública".
"Ao desenvolver suas narrativas", a comentarista "se coloca como substituta das campanhas de desinformação dirigidas pelas autoridades russas" com o objetivo "de desestabilizar a ordem pública" na França, ressalta a decisão, citada pelo Libération.
Fedorova "contribui para a disseminação de um discurso de desinformação e desestabilização", destinado "a manipular a opinião pública", "a minar a confiança dos cidadãos europeus e, em particular, dos cidadãos franceses em suas instituições", acrescenta.
Seu advogado, Emmanuel Piwnica, anunciou à AFP que recorrerá "imediatamente" da decisão, que qualificou como "grave violação da liberdade de expressão de uma jornalista que sempre exerceu sua atividade da forma mais adequada possível".
No final de maio, estourou uma intensa polêmica após ser revelada a prorrogação, em 2024, por dez anos, de sua autorização de residência na França e a publicação de um artigo no jornal Le Monde que lhe atribuía uma influência crescente sobre o magnata conservador.
Macron e seu governo a chamaram de "propagandista" do Kremlin, enquanto os dirigentes da galáxia midiática de Bolloré apelaram para o pluralismo de opiniões. Seus empregadores, Canal+ e Lagardère, denunciaram novamente, nesta quarta-feira, um atentado à "liberdade de expressão".
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