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Ex-comandante é condenado por naufrágio mortal de submarino argentino

Published on July 8, 2026 at 22:31

O ex-comandante da Força de Submarinos da Marinha argentina Claudio Javier Villamide (E), chega, acompanhado de sua advogada, Magali Crespos, à audiência de leitura da sentença do julgamento sobre o naufrágio do submarino ARA San Juan, em Rio Gallegos, Santa Cruz, sul da Argentina, em 8 de julho de 2026
Familiares de alguns dos 44 tripulantes do ARA San Juan, mortos no naufrágio do submarino em 2017, durante audiência de leitura da sentença no julgamento do caso em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz, no sul da Argentina, em 8 de julho de 2026
O ex-comandante da Força de Submarinos da Marinha argentina Claudio Javier Villamide (E), chega, acompanhado de sua advogada, Magali Crespos, à audiência de leitura da sentença do julgamento sobre o naufrágio do submarino ARA San Juan, em Rio Gallegos, Santa Cruz, sul da Argentina, em 8 de julho de 2026
Ex-comandante é condenado por naufrágio mortal de submarino argentino

A justiça argentina condenou o ex-comandante da Força de Submarinos Claudio Villamide a três anos de prisão pelo naufrágio, em 2017, do submarino "ARA San Juan", que matou 44 tripulantes, segundo a sentença lida pelo tribunal nesta quarta-feira (8).

O submersível adernou e implodiu no Atlântico Sul, em uma das maiores tragédias da Marinha Argentina em tempos de paz. 

O tribunal federal da província de Santa Cruz (sul) julgou Villamide culpado de negligência e descumprimento dos deveres de funcionário público, enquanto outros três comandantes navais foram absolvidos.

A corte condenou por unanimidade o ex-comandante de 62 anos e ex-chefe da divisão de submarinos da Marinha, e lhe impôs uma pena condicional de três anos que, a princípio, evita sua reclusão.

Ao contrário, foram absolvidos os ex-capitãs Luis Enrique López Mazzeo, Héctor Aníbal Alonso e Hugo Correa, os únicos, junto com Villamide, que foram levados a julgamento em um processo que contou com uma centena de testemunhas.

- Punição "insuficiente" -

"Os familiares vão apelar das absolvições e reivindicar penas mais severas", disse à AFP a advogada dos demandantes Valeria Carreras, representante da maioria dos familiares das vítimas, que consideraram a punição da corte "insuficiente".

As apelações serão apresentadas depois que o tribunal divulgar os fundamentos da sentença, em 21 de agosto.

"O objetivo será revisar tanto as absolvições quanto a quantidade da pena imposta a Villamide", explicou Carreras.

Apesar de tudo, a advogada deu destaque à sentença.

"É importante ter podido provar a culpa de Villamide. Foram 44 mortes evitáveis e é uma mensagem às Forças Armadas e ao Estado para que cuidem dos servidores da pátria", acrescentou.

De todo modo, ela admitiu "certo decepção" com as absolvições.

Segundo a ação, a embarcação tinha iniciado sua missão de patrulha em frente à costa argentina sem estar em condições ótimas para a navegação.

O submarino tinha uma restrição de imersão de cem metros porque tinha testes pendentes depois de cumprir os reparos de meia vida.

O Ministério Público sustentou que Villamide não levou em conta "as condições deficientes de prontificação" do submarino e por isso tinha pedido uma pena de cinco anos de prisão.

A condenação imposta pelo tribunal não representa a prisão efetiva do ex-comandante naval, que deverá informar seu domicílio e se apresentar à justiça pelo período que durar sua sentença.

A ação, que representa as famílias das vítimas, 43 homens e uma mulher, tinha pedido penas de prisão para os quatro réus.

- Sem certezas -

As causas do naufrágio seguem sem esclarecimento. O submarino reportou uma avaria e um princípio de incêndio causado por um curto-circuito no quarto de baterias. Em 15 de novembro de 2017, submergiu além dos 100 metros e implodiu.

Uma operação internacional participou das buscas pela embarcação quando ainda havia esperanças de encontrar seus tripulantes vivos depois que a Marinha argentina divulgou que o submarino tinha sofrido uma "falha nas comunicações".

No entanto, os destroços do submarino foram encontrados um ano depois a 500 km da costa argentina e a cerca de 900 metros de profundidade no Atlântico Sul, sem nunca terem sido resgatados.

sa/lm/vel/mvv/am

© Agence France-Presse

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