Campeões mundiais desfilam pelas ruas de Madri lotadas de torcedores
Os jogadores da seleção espanhola, recém-coroados campeões mundiais após derrotarem a Argentina na final no domingo, desfilaram nesta segunda-feira (20) pelas ruas de Madri, que estavam lotadas com mais de um milhão de torcedores. "Eles merecem que estejamos aqui apoiando-os também, e que retribuamos um pouco do carinho que demonstram durante as partidas e da força que dedicam ao jogo", disse à AFP Pablo Perello, um bancário de 33 anos que foi ver "os jogadores de perto". Após serem recebidos pelo Rei Felipe VI e pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, os campeões percorreram as avenidas de Madri em dois ônibus abertos, em meio a uma multidão que agitava bandeiras da Espanha e vestia camisas da seleção. Alguns jogadores ficaram sem camisa devido ao calor intenso que tomava conta de Madri, enquanto outros, como as estrelas Lamine Yamal e Nico Williams, usavam regatas ao acenar para o público. "Vencer pelo seu país é a coisa mais linda que existe, especialmente uma Copa do Mundo", e "erguer o troféu, e poder fazer isso hoje, é a maior conquista possível no futebol", afirmou o capitão da equipe e melhor jogador da Copa, Rodri Hernández, durante a recepção no Palácio de Moncloa, em Madri, sede do governo espanhol. "Estou muito feliz em ver a empolgação das crianças (...) e em participar do desfile e celebrar com todos os espanhóis", disse Ferran Torres, autor do único gol na partida de domingo que garantiu o bicampeonato mundial da Espanha (2010, 2026). - Alegria e delírio - "Quando vocês venceram, fizeram isso por toda a Espanha", lhes disse o Rei Felipe VI no Palácio da Zarzuela, onde chegaram com o troféu dourado logo após desembarcarem em Madri vindos dos Estados Unidos. O desfile dos jogadores culminou na Praça de Cibeles, onde ocorreu uma cerimônia de homenagem em meio a um clima eletrizante. A passagem do ônibus aberto com os jogadores provocou cenas de alegria intensa e delírio, acompanhadas por uma sinfonia de buzinas, gritos de felicidade e milhares de bandeiras amarelas e vermelhas agitadas com orgulho. Muitas pessoas acenavam de suas varandas, enquanto milhares esperaram pacientemente nas ruas por horas sob o intenso calor do verão. "Estou tão contente com a segunda estrela" conquistada pela Espanha, "muito feliz", declarou Héctor Mollar, um estudante de 14 anos que disse ter conseguido vislumbrar Ferran, Lamine e Mikel Merino enquanto o desfile passava. Vivenciar um dia como hoje é "muito diferente" de apenas ouvir falar dele, observou Héctor, referindo-se ao título da 'Roja' de 2010, do qual só conhece histórias contadas por seus familiares. - Superioridade - A 'Roja' derrotou a Argentina com um gol de Ferran Torres aos 106 minutos, no segundo tempo da prorrogação. A equipe espanhola se manteve fiel ao seu estilo de jogo, mostrando superioridade a partir da posse de bola e com uma defesa sólida que não permitiu à Argentina um único chute a gol até que a 'Albiceleste' já estivesse atrás no placar. Essa superioridade da Espanha no torneio ficou refletida nos prêmios: o capitão Rodri Hernández foi eleito o melhor jogador da competição; o zagueiro Pau Cubarsí (19 anos) recebeu o prêmio de melhor jovem e o goleiro Unai Simón ficou com a Luva de Ouro, ao sofrer apenas um gol em todo o torneio (nas quartas, contra a Bélgica). Sem o capitão Lionel Messi e com outras ausências no elenco, parte da seleção argentina e de sua comissão técnica retorna a Buenos Aires em um voo com chegada prevista ao Aeroporto Internacional de Ezeiza por volta das 18h30, horário local (mesmop horário de Brasília). "A dor é imensa, e esta ferida levará muito tempo para cicatrizar", escreveu Messi no Instagram. Aos 39 anos, ele disputou aquele que deve ter sido seu último jogo em Copas do Mundo.