França registrou quase 8.000 mortes adicionais durante verão escaldante de 2026
O verão mais quente na França desde 1900, marcado por uma sucessão de ondas de calor recordes, provocou quase 8.000 mortes adicionais, informaram as autoridades sanitárias após a divulgação das estatísticas mais recentes nesta quarta-feira (16).
O número de 7.919 mortes adicionais registradas entre o fim de maio e 20 de agosto não é definitivo e pode aumentar à medida que forem incorporados os dados das últimas semanas do verão, informou a autoridade francesa de saúde pública.
Foram registradas 817 mortes em excesso entre 27 de julho e 20 de agosto, que se somam a 5.764 mortes em excesso entre 17 de junho e 2 de julho, 1.243 entre 3 e 20 de julho e 95 durante uma intensificação da onda de calor no início do verão, entre 24 e 28 de maio.
Ainda é cedo para relacionar diretamente todas as mortes à onda de calor, mas esse balanço ilustra de forma contundente o impacto das ondas de calor do verão em um país onde, de modo geral, a infraestrutura e o estilo de vida estão pouco preparados para enfrentar o calor extremo.
"Este verão de 2026 foi completamente sem precedentes, com episódios de onda de calor quase contínuos", declarou à AFP Guillaume Boulanger, responsável pela unidade de ambientes de vida e trabalho da autoridade francesa de saúde pública.
O fenômeno deste ano fez os franceses se lembrarem da onda de calor de 2003, que atingiu o país em pleno período de férias de verão, quando os hospitais estavam com equipes reduzidas e muitos idosos ficavam sozinhos. Aquele episódio deixou cerca de 15.000 mortos.
No entanto, segundo a agência meteorológica francesa, o verão de 2026 foi o mais quente desde 1900, superando o de 2003 e outro episódio de calor intenso registrado em 2022.
As mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás associada às atividades humanas, aumentam a probabilidade de ocorrência de ondas de calor extremamente intensas, prolongadas e geograficamente extensas.
Neste ano, na França, os idosos foram os mais afetados, com um grande número de mortes entre 14 e 16 de agosto, logo após os dias mais quentes.
Mas a onda de calor mais letal foi o primeiro grande episódio, entre 17 de junho e 2 de julho, que ocorreu antes do início das férias de verão e quando as atividades educacionais, empresariais e profissionais ainda funcionavam em ritmo pleno na França, segundo a autoridade.
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