Em 'Resident Evil', Zach Cregger leva o espírito dos videogames ao cinema
Zach Cregger, fã consumado de "Resident Evil", estabeleceu apenas um objetivo para essa nova adaptação do famoso videogame para as telonas: manter-se totalmente imerso no formato.
Para isso, o aclamado diretor decidiu se apoiar na linguagem audiovisual dos videogames no momento da filmagem, igualando a perspectiva do espectador à do protagonista Austin Abrams.
"(Queria) permanecer fiel ao espírito dos jogos (...) É um novo personagem, mas a história deve transmitir a mesma sensação do videogame", disse Cregger em entrevista à AFP.
Cregger optou por colocar a lente atrás de Abrams "e, enquanto ele se movimenta, a câmera gira para mostrar o que ele está olhando".
"Há muita coordenação entre ele e o operador de câmera para garantirmos que pareça um videogame ou uma visão em primeiro pessoa".
O realizador também aproveitou o formato, o ritmo e a evolução do armamento.
"Você começa com uma pistola, depois uma espingarda e depois uma metralhadora. Tudo isso vem do videogame", comentou Cregger.
"Resident Evil", que chega aos cinemas americanos nesta sexta-feira (18), acompanha Bryan (Abrams), um mensageiro que estende seu turno da noite para transportar um pacote de um hospital. Uma encomenda aparentemente comum que se transformará em um pesadelo.
Cregger, diretor do bem-sucedido "A Hora do Mal", inclinou-se mais para o terror do que para a ação nesta nova adaptação cinematográfica da franquia.
"Queria apostar totalmente no terror e nessa sensação de angústia que vai crescendo lentamente e que os jogos conseguiram transmitir tão bem ao longo de toda a saga", disse.
Para as cenas de ação, Abrams ganhou um pouco de peso e treinou um pouco, mas não quis passar por uma transformação física significativa.
Do ponto de vista dele, Bryan tinha que parecer alguém que não necessariamente se exercitava diariamente.
"Uma parte do desafio era que eu queria que o personagem não parecesse alguém capaz de enfrentar isso", disse Abrams à AFP.
"Quanto mais em forma você estiver, mais vai se sentir: 'ok, talvez você consiga fazer isso'".
O ator, de 30 anos, confessou que nunca havia jogado "Resident Evil" até conseguir o papel principal. Agora está familiarizado com a franquia e não acha que conseguiria sobreviver se o sofrimento que Bryan enfrenta acontecesse na vida real.
A história de "Resident Evil" já havia sido adaptada para o cinema por diretores como Paul W. S. Anderson.
Cregger está ciente de que sua abordagem pode não satisfazer muitos fãs que esperavam a inclusão de determinados personagens ou linhas narrativas do videogame, mas se manteve fiel à sua visão.
"Lamento que este filme não seja isso, mas sinto que, se eu tivesse feito isso, teria estragado tudo", disse.
"Para mim, o melhor é contar uma história original que celebre tudo o que amo nos videogames".
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