Jornal

Israel prepara 'operação antiterrorista' na Cisjordânia após violência mortal

Published on Juli 24, 2026 at 20:44

Tel, na Cisjordânia ocupada, em 24 de julho de 2026 — John Wessels / AFP
Tel, na Cisjordânia ocupada, em 24 de julho de 2026 — John Wessels / AFP

O Exército de Israel afirmou, nesta sexta-feira (24), que está preparando uma ampla operação na Cisjordânia ocupada após um episódio de violência que terminou com a morte de um israelense e quatro palestinos.

"Após o ataque terrorista ocorrido hoje mais cedo na área de Tel, soldados das FDI (Forças de Defesa de Israel) estão se preparando para uma ampla atividade operacional antiterrorista no setor", informou o Exército.

O Exército israelense acrescentou que enviou as tropas após receber relatos de um ataque contra civis israelenses que, segundo afirmou, faziam uma excursão perto do assentamento de Havat Gilad.

Pouco antes, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu governo vai acelerar "a legalização dos assentamentos agrícolas e o estabelecimento de novos" na Cisjordânia ocupada.

As medidas anunciadas pelo líder e pelo ministro da Defesa, Israel Katz, também incluem operações em vilarejos palestinos suspeitos de abrigar combatentes.

"Estamos perseguindo cada um dos terroristas envolvidos no ataque", declarou o chefe do Exército, tenente-general Eyal Zamir, que se deslocou para Tel, segundo um comunicado.

O comando militar suspendeu as licenças dos soldados em todo o território palestino ocupado e consolidou suas forças na região.

Um jornalista da AFP constatou que todos os postos de controle foram fechados no norte da Cisjordânia e que importantes reforços militares foram deslocados para a área.

A violência na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967, aumentou significativamente desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023.

Mais de 500 mil israelenses vivem em colônias na Cisjordânia, junto a cerca de três milhões de palestinos. Todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia são considerados ilegais segundo o direito internacional.

Inicialmente, a versão militar mencionou um ataque contra excursionistas israelenses, mas depois informou que houve um "violento confronto" entre dezenas de palestinos e israelenses.

Segundo um oficial militar, uma equipe de segurança civil do assentamento e soldados israelenses foram ao local, onde ocorreu uma troca de tiros "entre ambas as partes".

Um palestino tomou a arma de um dos colonos que havia chegado como reforço e matou um deles, um homem de cerca de 30 anos.

Segundo o Exército, um segundo israelense, um "agente de segurança da defesa local", de 32 anos, também foi morto.

Por sua vez, o Ministério da Saúde palestino informou a morte de quatro palestinos na localidade de Tel, vizinha ao assentamento, onde outras quatro pessoas ficaram feridas, três delas em estado grave.

O presidente do conselho local de Tel, Walid Zidan, rejeitou a versão israelense e declarou à AFP que cerca de vinte colonos haviam entrado na localidade palestina antes do início dos confrontos.

"Havia soldados israelenses presentes e, junto com os colonos, eles abriram fogo (...) Foram os colonos que invadiram a aldeia, com a intenção de matar, saquear e incendiar propriedades", afirmou.

Várias testemunhas deram versões semelhantes à AFP, que não pôde verificar essas alegações de forma independente.

Posteriormente, o Exército israelense anunciou a prisão, em um hospital de Nablus, de dois homens acusados de participar do incidente.

Segundo um funcionário do hospital, um dos palestinos feridos foi detido junto com seu irmão.

Novos confrontos foram registrados em localidades vizinhas a Tel, no norte da Cisjordânia.

O Crescente Vermelho Palestino registrou oito feridos em Far'ata, vários deles atingidos por disparos, e dois homens feridos na aldeia de Sarra, após o que descreveu como ataques de colonos.

O presidente do conselho de Far'ata, Abdel Moneim Shaneh, afirmou que colonos acompanhados por forças israelenses atacaram a aldeia e incendiaram olivais, alegações que a AFP não pôde verificar.

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, uma das principais figuras da extrema direita israelense, instou o Exército a agir "com mão de ferro".

Latest stories