Inflação dos EUA se mantém estável em agosto, a 3,4%
A inflação nos Estados Unidos permaneceu estável em agosto, a 3,4% em 12 meses, segundo dados oficiais publicados nesta sexta-feira (11), um dado que alimenta as expectativas de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) eleve suas taxas de juros na próxima semana.
As novas informações mostraram que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) se manteve estável em agosto, mas continua consideravelmente elevado em comparação ao início do ano e muito acima da meta de longo prazo de 2% do Fed.
Na comparação mês a mês, o IPC subiu 0,4% em agosto, contra 0,1% entre junho e julho.
A publicação foi precedida por uma tensão incomum, porque, se o dado fosse considerado ruim, poderia levar o Federal Reserve a elevar suas taxas de juros na próxima semana.
Vários dirigentes da instituição indicaram que estariam dispostos a aumentar as taxas de juros caso os dados de inflação de agosto não mostrassem uma desaceleração no ritmo de alta dos preços. O comitê de política monetária do Fed se reunirá na próxima terça e quarta-feira.
A medida seria um duro golpe para o presidente Donald Trump a poucas semanas das eleições legislativas de meio de mandato.
O presidente, que ganhou fama como empresário do setor imobiliário, faz campanha incansavelmente por juros mais baixos, para baratear o crédito e estimular a economia.
Do lado do consumidor, a situação também não é nada boa para Trump.
A confiança dos americanos na economia despencou e se aproxima de um mínimo histórico, segundo uma pesquisa publicada nesta sexta-feira.
Um índice que mede a confiança do consumidor desde 1952, compilado pela Universidade de Michigan, ficou em 47,8 pontos, próximo do mínimo de 44,8 pontos registrado em maio.
Isso representa uma queda anual de mais de 13%.
"Com o aumento dos preços dos combustíveis e as tensões comerciais, os consumidores preveem que seus orçamentos ficarão sob maior pressão", disse a diretora da pesquisa, Joanne Hsu, citada em um comunicado de imprensa.
A guerra contra o Irã desencadeada por Trump e Israel em 28 de fevereiro provocou uma alta da inflação nos Estados Unidos. E a paciência dos americanos está acabando, assim como a dos responsáveis pela política monetária.
O início de setembro foi marcado por uma nova disparada dos preços nos postos de gasolina, em particular devido à retomada das hostilidades militares entre Washington e Teerã ao redor do estratégico Estreito de Ormuz.
O diesel, combustível de tratores e caminhões, bateu um novo recorde nesta sexta-feira e ultrapassou a barreira simbólica de seis dólares (30 reais) por galão (3,8 litros), segundo dados da associação automobilística americana. No começo do ano, antes da guerra, custava em torno de 3,5 dólares (17 reais).
Enquanto isso, o preço da gasolina subiu 44% desde o início do conflito.
A inflação subjacente, que exclui os preços mais voláteis de combustíveis e alimentos, ficou em 2,4% em 12 meses em agosto.
Os preços elevados têm atingido com força a economia americana, e a inflação no atacado subiu mais do que o previsto em agosto, de acordo com dados do governo divulgados na quinta-feira.
O Fed aumentou os juros pela última vez há três anos, ao encerrar o ciclo de altas iniciado durante a pandemia para combater uma forte disparada dos preços. As taxas de juros permanecem entre 3,50% e 3,75%.
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