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Filme sobre Jair Bolsonaro, no olho do furacão em plena campanha eleitoral

Published on Septiembre 10, 2026 at 20:23

O então presidente Jair Bolsonaro (E), acompanhado do filho, Flávio, ouve uma pergunta durante uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, em 4 de outubro de 2022 — Evaristo Sa / AFP
O então presidente Jair Bolsonaro (E), acompanhado do filho, Flávio, ouve uma pergunta durante uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, em 4 de outubro de 2022 — Evaristo Sa / AFP

A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (10), uma operação para investigar o suposto desvio de recursos públicos, tendo como alvos, entre outros, a produtora responsável por um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Mario Frias (PL), alinhado a Bolsonaro. 

Revelações sobre o financiamento de "Dark Horse", uma cinebiografia que ainda não estreou do ex-presidente, abalaram a campanha de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro.

O deputado Mario Frias, do Partido Liberal e apoiador de Bolsonaro, e a produtora audiovisual Karina Gama estão entre os alvos da operação, segundo a decisão judicial consultada pela AFP.

Gama consta em registros públicos como proprietária da Go Up Entertainment, a produtora de "Dark Horse", que teve o ator americano Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro. Mario Frias é produtor executivo do filme.

Ambos foram proibidos de sair do país.

A Operação Make Up investiga "suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas (...) à organização da sociedade civil", totalizando "centenas de milhões de reais", segundo o comunicado da PF.

Emendas parlamentares são um mecanismo que permite aos deputados destinar verbas a seu critério para projetos de interesse público.

A Go UP Entertainment foi um dos 49 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira em vários estados.

A produtora do filme "foi identificada como destinatária de recursos financeiros provenientes de pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado, revelando possível integração (...) com as entidades beneficiárias das emendas parlamentares", apontou a decisão judicial.

A polícia investiga se recursos associados a contratos públicos com o instituto sem fins lucrativos Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, "posteriormente tenham sido direcionados" à Go Up Entertainment.

Flávio Bolsonaro afirmou, em um ato de campanha, que a operação desta quinta-feira é uma "tentativa de interferência política", a qual atribuiu a ter ultrapassado "Lula nas pesquisas oficiais do próprio" presidente.

O ministro do Supremo Tribunal Federal que autorizou a operação desta quinta-feira é o ex-ministro da Justiça de Lula, Flávio Dino.

Flávio Bolsonaro e Lula aparecem empatados na maioria das pesquisas para um provável segundo turno em 25 de outubro.

"Dark Horse" ficou na mira depois que Flávio admitiu ter solicitado transferências bancárias milionárias ao banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para pagar pelo filme.

A polícia investiga se esses fundos foram, na verdade, usados para financiar outro filho de Bolsonaro, Eduardo, que vive nos Estados Unidos e tem uma condenação no Brasil por coação em um julgamento contra seu pai, condenado por tentativa de golpe de Estado.

A operação desta quinta-feira ocorre paralelamente a essa outra investigação. Flávio Bolsonaro não está entre os alvos.

A operação ocorreu em meio a uma crise inédita no Supremo, com medidas hostis entre seus ministros, desencadeada por uma investigação que aponta vínculos entre Vorcaro, preso por um megaesquema de fraude financeira, e políticos e magistrados.

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