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Sheinbaum critica "arrogância" de governador mexicano procurado por tráfico nos EUA

Published on Agosto 22, 2026 at 22:45

Uma faixa com imagens da presidente do México, Claudia Sheinbaum, e do governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, com a frase "Claudia Sheinbaum protege governadores ligados ao narcotráfico", foi pendurada na fachada de um edifício residencial na Cidade do México em maio de 2026 — YURI CORTEZ / AFP
Uma faixa com imagens da presidente do México, Claudia Sheinbaum, e do governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, com a frase "Claudia Sheinbaum protege governadores ligados ao narcotráfico", foi pendurada na fachada de um edifício residencial na Cidade

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou, neste sábado (22), que políticos imponham seu "interesse pessoal" sobre os do país, depois que um governador acusado de narcotráfico pelos Estados Unidos retornou ao cargo surpreendentemente.

Na sexta-feira, Rubén Rocha Moya, procurado por um tribunal americano por supostos vínculos com um cartel do narcotráfico, anunciou no X que reassumiria o governo do estado de Sinaloa, cargo que tinha deixado em maio passado para ser investigado pela justiça mexicana.

Rocha Moya é um político próximo de Andrés Manuel López Obrador, antecessor de Sheinbaum e pai do atual movimento de esquerda no poder.

A presidente escreveu no X que "nunca nenhum interesse pessoal pode estar acima dos interesses do povo" e do México. "O poder sem princípios se torna arrogância; o poder sem limites, abuso", acrescentou, sem citar nomes.

Mas, ao responder as perguntas de jornalistas sobre Rocha Moya neste sábado, a presidente fez alusão à sua mensagem no X.

Por causa de uma gripe forte, Sheinbaum cancelou sua coletiva de imprensa matinal na sexta-feira, mas repareceu neste sábado, usando uma máscara.

Ela disse que desconhecia que Rocha Moya voltaria ao cargo. "Soube por seu tuíte", disse ela a jornalistas. "Acabo de publicar uma postagem no X, nada mais, é tudo o que trago".

O governo, líderes parlamentares e o partido Morena, ao qual pertencem Sheinbaum e Rocha Moya, se desvincularam da decisão do governador.

Analistas e veículos de imprensa mexicanos destacam este distanciamento incomum e evocam possíveis atritos internos pela proximidade do governador com López Obrador.

Para o cientista político José Antonio Crespo, Rocha Moya precisou contar com o apoio do ex-presidente, o que colocaria Sheinbam em meio a "pressões" de seu antecessor e as reivindicações do presidente americano, Donald Trump.

A mensagem de que Rocha Moya agiu sozinho, acrescenta, também é para Washington. "A presidente não quer arcar com a responsabilidade perante os Estados Unidos, mas não acredito que Trump acredite", disse Crespo à AFP.

Em sua coluna de política, o jornal El Universal mencionou a "irritação" do ex-presidente com Trump depois de Washington cancelar o visto de seu filho.

López Obrador "decidiu ir para a guerra mesmo contra a presidente que tanto prometeu defender?", questionou.

O governador e nove políticos governistas são procurados pela justiça americana, que pela primeira vez visa políticos mexicanos no exercício de suas funções.

Com base em ameaças tarifárias, o presidente americano exige que o México dobre seus esforços na guerra contra o narcotráfico.

Donald Trump reclama com frequência que o México é governado por políticos ligados ao tráfico e que ofereceu apoio militar a Sheinbaum, que repudia qualquer intervenção.

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