Condição renal de Maradona deveria ter servido como sinal de alerta, diz médico, em depoimento
O monitoramento dos rins de Diego Maradona, que sofria de "doença renal crônica", e de suas oscilações de peso deveria ter servido como um sinal de alerta sobre a deterioração de seu estado de saúde dias antes de sua morte, afirmou um nefrologista nesta terça-feira (18), durante o julgamento que apura as circunstâncias do falecimento do astro.
Hernán Trimarchi, ao depor no julgamento de sete profissionais de saúde acusados de negligência potencialmente fatal, descreveu, assim como outros especialistas fizeram em audiências anteriores, um cenário de assistência precária em torno do ícone do futebol argentino em novembro de 2020.
Maradona morreu de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar enquanto recebia assistência médica domiciliar, um modelo cuja adequação, condições e qualidade do atendimento estão sendo questionadas neste julgamento.
O especialista, membro da junta médica que analisou a morte de Maradona, explicou que os rins do ex-craque estavam "muito pesados" e apresentavam danos associados a um histórico de obesidade, uso de cocaína e hipertensão.
Nesse contexto, "o básico era a realização de exames médicos diários, cuidados de enfermagem diários, hemograma completo e monitoramento dos sinais vitais", disse Trimarchi.
No entanto, ele observou que não viu registro de "nenhuma coleta de sangue" na documentação do atendimento domiciliar.
"Se a pressão arterial está subindo e o peso está aumentando, bem, então temos que fazer algo", ressaltou Trimarchi.
Este depoimento antecedeu o do toxicologista Carlos Damin, que também integrava a junta médica.
Em sua declaração, Damin ressaltou a necessidade de monitorar as funções renal, hepática e cardíaca de Maradona, devido aos medicamentos psicotrópicos que o ex-jogador estava tomando.
Os medicamentos que 'El Diez' utilizava "eram metabolizados no fígado e excretados pelos rins. Além disso, uma parcela significativa dessa medicação pode causar algum tipo de problema cardíaco".
Damin observou que, para receber esses fármacos, o paciente precisa apresentar "boa função renal".
Médicos, enfermeiros e um psicólogo estão sendo julgados por homicídio com dolo eventual pela morte de Maradona, uma acusação que implica que eles tinham ciência de que suas ações e omissões poderiam levar à morte do ex-jogador.
O ídolo faleceu em 25 de novembro de 2020, enquanto recebia cuidados de assistência domiciliar após uma neurocirurgia, em Tigre, ao norte de Buenos Aires.
Todos os acusados alegam inocência. Uma oitava ré, uma enfermeira, será julgada em um processo separado.
O julgamento, iniciado em abril, já ouviu mais de 60 testemunhas e deve prosseguir pelo menos até setembro.
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