Artista dissidente Luis Manuel Otero Alcántara deixa Cuba e se exila nos EUA
O artista Luis Manuel Otero Alcántara, figura da nova dissidência cubana, deixou Havana neste sábado (18) e se exilou nos Estados Unidos, após cumprir uma pena de cinco anos de prisão na ilha comunista.
Pouco depois de sua chegada a Miami, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, conclamou Cuba a libertar mais de 700 presos políticos.
O artista plástico, vestido com um paletó cinza, um gorro e uma bandeira cubana sobre os ombros, foi recebido por amigos e ativistas de direitos humanos no aeroporto de Miami, constatou a AFP.
"Depois de cinco anos de encarceramento injusto, o artista cubano Luis Manuel Otero Alcántara foi finalmente libertado, embora em troca de sua saída definitiva da ilha”, anunciaram seus aliados em sua página no Facebook, no momento de sua partida do aeroporto de Havana.
Na sexta-feira, ele obteve visto para viajar aos Estados Unidos, “um caminho que se impôs como a única forma de que pudesse recuperar sua liberdade neste momento”, acrescenta o comunicado.
“Pedimos a libertação imediata dos mais de 700 presos políticos injustamente detidos pelo regime”, afirmou Rubio. “A comunidade internacional deve deixar de fazer vista grossa diante das violações de direitos humanos do regime cubano”, disse.
Otero Alcántara, de 38 anos, é uma das figuras de maior destaque da dissidência cubana. Ganhou notoriedade após liderar, em 2020, um protesto do Movimento San Isidro, um coletivo de artistas e intelectuais que exigia maior liberdade de expressão em Cuba.
Foi detido quando tentava se juntar às manifestações de 11 de julho de 2021 e condenado, no ano seguinte, a cinco anos de prisão por ultraje aos símbolos pátrios, desacato e desordem pública, por uma performance anterior.
A Anistia Internacional o considera um “preso de consciência”, enquanto o governo cubano o acusa de atuar a serviço dos Estados Unidos para desestabilizar o país. Em 2024, ele recebeu o prêmio norueguês Rafto de Direitos Humanos.
Em 7 de julho, dois dias antes da finalização oficial de sua pena, Otero Alcántara foi transferido da prisão para um imóvel da Segurança do Estado, onde permaneceu cerca de 10 dias.
- Vozes críticas -
Essa libertação ocorre em um momento de fortes tensões entre Cuba e Estados Unidos. Durante um debate no início de julho na Assembleia da ONU sobre as sanções americanas, solicitado por Cuba, o embaixador americano Mike Waltz exibiu uma foto do dissidente para denunciar a falta de liberdade de expressão na ilha.
A saída do artista confirma também a estratégia do governo cubano de se desfazer das vozes mais críticas por meio do exílio, enquanto entre 700 e mil presos políticos seguem encarcerados no país, segundo um levantamento de organizações de defesa dos direitos humanos.
Entre eles estão cerca de 250 pessoas que participaram das manifestações de 11 de julho de 2021, quando milhares de cubanos saíram às ruas para reivindicar mais liberdades e melhores condições de vida.
Saídas como a de Otero Alcántara enfraquecem ainda mais a dissidência cubana, minada pela repressão e até agora incapaz de tirar proveito do descontentamento social diante da grave crise econômica e social que abala o país.
Além do embargo americano, Cuba está submetida a um bloqueio petrolífero que desorganiza suas atividades econômicas, energéticas e sociais. Uma bateria de sanções contra empresas também secou as entradas de divisas.
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© Agence France-Presse
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