Argentina vence Suíça na prorrogação (3-1) e vai enfrentar Inglaterra na semifinal da Copa
Com dois gols na prorrogação de mais uma partida dramática, a Argentina derrotou a Suíça por 3 a 1 em Kansas City, neste sábado (11), e avançou para as semifinais da Copa do Mundo de 2026, onde vai enfrentar a Inglaterra.
Após o empate em 1 a 1 no tempo regulamentar, Julián Álvarez marcou um gol espetacular aos 112 minutos e Lautaro Martínez garantiu a vitória nos acréscimos (120'+1) contra uma Suíça que jogava com um homem a menos desde os 72 minutos.
"Hoje nós sofremos", admitiu o técnico da Argentina, Lionel Scaloni, após a partida. "Sabíamos que eles eram uma equipe muito física. Nos deram muito trabalho, [mas] a sorte esteve do nosso lado", afirmou o treinador.
Ele também fez uma autocrítica. "Temos de ser realistas. Há coisas que precisamos melhorar, mas é sempre melhor quando se vence", observou.
Na semifinal, na quarta-feira, a Argentina, que sofreu bastante neste torneio, vai enfrentar a seleção inglesa, que mais cedo derrotou a Noruega também na prorrogação (2-1). Um dia antes, França e Espanha farão a outra semifinal.
O astro Lionel Messi enfrentará pela primeira vez a Inglaterra em uma partida de Copa do Mundo exatamente 40 anos depois que outra lenda argentina, Diego Maradona, protagonizou dois momentos icônicos contra os britânicos: o 'Gol do Século' e a 'Mano de Dios' ('Mão de Deus').
Neste sábado, pela primeira vez nesta Copa, Messi não balançou as redes, embora continue sendo o artilheiro com oito gols, empatado com o francês Kylian Mbappé.
No entanto, o craque do Inter Miami, de 39 anos, alcançou a marca de 10 assistências em Copas do Mundo graças à cobrança de escanteio que Alexis Mac Allister desviou de cabeça para o fundo da rede, aos 10 minutos.
Dan Ndoye empatou para a Suíça no segundo tempo (67'), mas os europeus complicaram a própria situação cinco minutos depois, quando Breel Embolo recebeu o segundo cartão amarelo por simulação.
A Argentina conseguiu prolongar aquela que muito provavelmente será a última Copa do Mundo de Messi por pelo menos mais uma partida, embora tenha feito isso após mais um duelo extenuante, repetindo o roteiro de suas vitórias anteriores, sobre Cabo Verde e Egito.
- Argentina volta a sofrer -
A Argentina retornou a Kansas City, palco de sua estreia promissora com uma vitória por 3 a 0 sobre a Argélia, com o orgulho ferido após um início preocupante no mata-mata.
Apesar de ficar atrás no placar diante do Egito por dois gols de diferença até os minutos finais, Scaloni escalou a mesma formação inicial neste sábado, apenas pela quarta vez em sua gestão como técnico.
A Argentina voltou a ter dificuldades para fazer a bola circular com velocidade e, como sempre, não conseguiu marcar até que Messi apareceu.
O camisa 10 cobrou um escanteio com efeito em direção ao centro da área suíça, onde Mac Allister subiu entre Embolo e Djibril Sow, dois jogadores imponentes que são mais de 10 centímetros mais altos que ele.
A cabeçada do meio-campista do Liverpool superou o goleiro Gregory Kobel, levando ao delírio os 69 mil torcedores no Arrowhead Stadium, que esperavam uma vitória tranquila, sem o drama dos minutos finais.
Apoiada por apenas algumas centenas de torcedores, a Suíça se viu em desvantagem no placar pela primeira vez no torneio. E para piorar, não contava com seu jovem motor em campo, Johan Manzambi, afastado por lesão.
- Expulsão por simulação -
A partida reservou seus momentos mais emocionantes para a prorrogação. Dibu frustrou os ataques iniciais, mas a Suíça continuou pressionando até encontrar o gol de empate (67').
Ndoye, o jogador mais perigoso da equipe, avançou pela esquerda, tabelou com Ricardo Rodríguez e superou o carismático goleiro argentino com um chute rasteiro.
A Argentina temia sofrer uma virada, mas recebeu uma ajuda involuntária da Suíça quando Embolo foi expulso após um lance confuso resolvido com a intervenção do VAR.
O árbitro inicialmente mostrou cartão amarelo para Leandro Paredes por uma falta em Embolo, mas após revisar o lance no monitor, considerou que o jogador suíço não havia sido tocado e simulou a queda. Com isso, o juiz mostrou o cartão amarelo para ele.
Embolo, que já havia recebido um cartão amarelo no primeiro tempo, deixou o campo desolado após seus companheiros protestarem contra a decisão.
O técnico da Suíça, Murat Yakin, contestou a expulsão após o jogo. "Estávamos dominando, mas aquele cartão vermelho nos prejudicou. É muito doloroso ser eliminado dessa maneira. Não acho que merecíamos isso", declarou Yakin na sala de imprensa do estádio em Kansas City.
"É incompreensível que o árbitro tenha tomado essa decisão equivocada e intervindo", observou. "Foi uma situação inofensiva, sem maldade. O jogo deveria ter seguido".
Depois da expulsão. os suíços se fecharam na defesa, na esperança de uma disputa de pênaltis como aquela que garantiu a vitória sobre a Colômbia nas oitavas de final.
Gregor Kobel resistiu às tentativas de Messi, Mac Allister e Thiago Almada até que Julián Álvarez, que, até então, fazia uma partida apagada, disparou um chute espetacular de fora da área, acertando o ângulo da meta suíça.
Foi o primeiro gol de 'La Araña' no torneio, e não poderia ter sido mais valioso.
"Pessoalmente, estou muito feliz com o gol. Vemos que todos os jogos da Copa do Mundo são assim, com muito tempo extra, mas sabemos que lutamos até o fim e entregamos tudo em campo. Estamos marcando gols no final, mas, desde que vençamos, o saldo é positivo", comemorou Julián Álvarez.
O outro atacante, Lautaro Martínez, se redimiu ao marcar o terceiro gol da Argentina, em um contra-ataque, levando a torcida ao delírio e desencadeando a comemoração dos jogadores argentinos diante das arquibancadas.
gbv/ag/aam
© Agence France-Presse
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