Apple processa OpenAI por violação de segredos comerciais
A Apple processou nesta sexta-feira (10) a OpenAI, criadora do ChatGPT, acusada de orquestrar uma campanha para roubar segredos comerciais da fabricante do iPhone com o objetivo de desenvolver seu próprio dispositivo de hardware para o consumidor.
Movida em um tribunal federal da Califórnia, a ação descreve o esforço agressivo por parte da OpenAI para contratar funcionários da Apple e obter informações confidenciais, a fim de construir seu próprio dispositivo.
"Em todos os níveis, desde membros de sua equipe técnica até seu diretor de hardware, e em coordenação com parceiros comerciais, a OpenAI vem roubando os segredos comerciais e informações confidenciais da Apple", afirma a empresa em sua denúncia, de 41 páginas.
O processo vai dificultar significativamente os planos de IPO da OpenAI. Avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,35 trilhões), a empresa já captou mais de US$ 180 bilhões (R$ 923,92 bilhões) de investidores, e a expansão para o hardware de consumo era vista como uma grande oportunidade de crescimento.
"Sempre defenderemos o trabalho árduo e as inovações de nossas equipes, e estamos tomando todas as medidas adequadas para isso", informou a Apple, em comunicado enviado à AFP. Já a OpenAI afirmou que não tem "nenhum interesse nos segredos comerciais de outras empresas". "Continuamos focados no desenvolvimento de tecnologia inovadora que empodere as pessoas em todo o mundo", acrescentou.
O processo cita a OpenAI, sua subsidiária de hardware io Products e dois ex-funcionários da Apple: Tang Yew Tan, atual diretor de hardware da OpenAI, e o engenheiro Chang Liu.
A Apple informou que busca uma indenização e uma ordem judicial que proíba a OpenAI de usar suas informações confidenciais, e alegou que o processo se fez necessário, depois que a OpenAI não respondeu às preocupações levantadas pela empresa em fevereiro.
Tan trabalhou na Apple por 24 anos, antes de ajudar a fundar a io Products, comprada pela OpenAI por cerca de US$ 6,5 bilhões (R$ 33 bilhões) em 2025. A Apple afirmou que Tan usou codinomes de projetos confidenciais durante entrevistas de emprego na OpenAI, para extrair informações de candidatos sobre produtos da Apple ainda não lançados. Ele também teria instruído funcionários da Apple a levar para as entrevistas componentes físicos, como baterias, placas e outras peças.
A Apple descreveu suas descobertas como "apenas a ponta do iceberg", e ressaltou que tinha uma visão limitada do que acontecia a portas fechadas na OpenAI. "O negócio incipiente de hardware desta última se sustenta agora sobre as bases mais instáveis, corroídas por sua dependência ilegal de segredos comerciais roubados", diz a denúncia.
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© Agence France-Presse
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