Arte e Cultura

Robert Wun, o criativo de Hong Kong que brilha nos tapetes vermelhos e na alta-costura

Published on Julio 8, 2026 at 20:34

O designer de Hong Kong Robert Wun posa para a AFP antes de seu desfile na Semana de Alta Costura de Paris, em 7 de julho de 2026
A rapper americana Cardi B, com um vestido de Robert Wun, na Semana de Alta Costura de Paris, em 8 de julho de 2026
Desfile de Robert Wun na Semana de Alta Costura de Paris, em 8 de julho de 2026
Desfile do designer Robert Wun na Semana de Alta Costura de Paris, em 8 de julho de 2026
O designer de Hong Kong Robert Wun posa para a AFP antes de seu desfile na Semana de Alta Costura de Paris, em 7 de julho de 2026
Robert Wun, o criativo de Hong Kong que brilha nos tapetes vermelhos e na alta-costura

Há cinco anos, o designer Robert Wun, natural de Hong Kong, trabalhava em sua cozinha. Agora, veste algumas das artistas mais conhecidas do mundo, de Lady Gaga à rapper Cardi B, que esteve, nesta quarta-feira (8), em seu desfile em Paris.

"Às vezes tenho alguns dias livres", diz, sorrindo, à AFP o estilista de 34 anos, embora admita se sentir "bastante esgotado mental e fisicamente", porque não tira folga há dois anos e meio.

"É algo que eu sempre quis, por isso quase nunca reclamo", afirma Wun. Apesar do volume de trabalho pouco antes de apresentar sua nova coleção, ele parece descontraído e bem-humorado.

Nada indicava que ele alcançaria esse sucesso: sua mãe trabalhava no setor de seguros, e seu pai, no de fiação elétrica. Na escola conservadora de Hong Kong onde estudou, não havia espaço para adolescentes criativos como ele.

"Foi ali que surgiu minha teimosia, porque eu sofria muito bullying. Mesmo assim, consegui me manter fiel ao que eu realmente queria fazer, ou a como queria fazer as coisas, ou a como quero me expressar", explica. 

Ele encontrou sua vocação ao estudar no London College of Fashion e acabou fazendo da capital britânica sua residência permanente.

Hoje, Wun mora em Hackney, no leste de Londres, e seu ateliê com 12 pessoas em Dalston produz sob medida dois ou três looks por mês para tapetes vermelhos, festas de gala e casamentos.

Wun foi provavelmente o designer mais requisitado da Met Gala deste ano em Nova York, onde vestiu oito pessoas, entre elas a estrela do k-pop Lisa, o colecionador de alta-costura Jordan Roth e a tenista Naomi Osaka.

A cantora americana Cardi B também é uma de suas admiradoras.

No desfile de sua nova coleção de alta-costura em Paris, ao ser perguntada sobre o que mais gosta em Wun, a rapper respondeu: "Tudo".

"A criatividade, as cores... É realmente de qualidade", acrescenta a artista, que foi uma das primeiras a usar criações de Wun após a coleção que o revelou, em 2021.

- O terror como influência -

Fascinado pelo mundo natural e profundamente influenciado pelo cinema, Wun cria peças frequentemente descritas como ousadas, futuristas e esculturais. Seu trabalho também pode ser sombrio e claustrofóbico, ao incorporar influências de filmes de terror.

Depois de chamar a atenção da Vogue e de outros círculos influentes da moda há cinco anos, ele estreou na alta-costura parisiense em 2023 como convidado, tornando-se o primeiro designer de Hong Kong a chegar ao palco da elite da moda.

Suas peças não fazem alusões diretas à sua cultura chinesa de origem.

"É bonito poder fazer referência à sua cultura e incorporá-la ao seu trabalho. Há muitos criadores fazendo um trabalho magnífico nesse sentido", afirma Wun.

Mas ele aspira a algo mais universal, que atravesse fronteiras ou, como define, "o poder de dar um passo atrás para deixar seu trabalho falar por si mesmo, sem que você seja o centro [das atenções]".

- "Uma âncora" -

A coleção apresentada nesta quarta-feira, chamada "Childsplay", é inspirada nos contos infantis e no cineasta japonês Hayao Miyazaki, conhecido por animações como "Meu Amigo Totoro".

Trata-se de algo diferente de suas linhas anteriores, mais travessa, mas também inquietante.

"Nunca foi minha intenção fazer algo que talvez as pessoas vejam como muito sério, ou como um reflexo da época, quando as coisas estão difíceis e sombrias", afirma.

"Usei realmente a infância como uma âncora [...] Não estou usando o olhar de uma criança para criar esta coleção. É mais do ponto de vista de um adulto que perdeu a infância, e sobre o que devemos fazer agora, olhando para trás", acrescenta.

adp/es/an/lm/mvv

© Agence France-Presse

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