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Suécia enfrenta incerteza política após eleições acirradas

Published on September 14, 2026 at 15:55

A líder dos social-democratas da Suécia, Magdalena Andersson, em 13 de setembro de 2026 em Estocolmo — Jonas EKSTROMER / AFP
A líder dos social-democratas da Suécia, Magdalena Andersson, em 13 de setembro de 2026 em Estocolmo — Jonas EKSTROMER / AFP

Com um resultado apertado nas eleições legislativas de domingo na Suécia, nas quais o bloco de esquerda conquistou 176 cadeiras, três a mais que o bloco de direita, o país deve iniciar uma etapa de negociações difíceis a partir desta segunda-feira (14) para a formação do governo.

Magdalena Andersson, líder dos social-democratas, vai governar o país nórdico assim que a apuração terminar oficialmente? No momento, ela parece a pessoa mais bem posicionada para a tarefa. Mas seu rival, o atual primeiro-ministro Ulf Kristersson, conservador, parece determinado a permanecer no cargo.

Os social-democratas e o Partido Moderado de Kristersson celebraram reuniões nesta segunda-feira para definir suas estratégias.

Diante do cenário incerto, poucos se atreviam a falar sobre o resultado final nesta segunda-feira.

"A situação está realmente tensa", disse Mikko Duvaldt, um operário entrevistado pela AFP em uma estação de Estocolmo. "Será difícil para os dois lados formarem governo", acrescentou o sueco de 48 anos. "Tudo isso me deixa estressada", comentou Pernilla Karlsson, de 53 anos.

As eleições também apresentaram uma surpresa para o partido de extrema direita Democratas da Suécia (SD), que perdeu terreno pela primeira vez desde que entrou no Parlamento há 16 anos, ao contrário do que aconteceu nas votações recentes para este tipo de legenda no restante da Europa.

No momento, a esquerda está na liderança. "E se isso for confirmado, então a Suécia terá um novo governo", declarou a líder social-democrata Magdalena Andersson a seus simpatizantes no domingo em Estocolmo.

Mas o resultado será conhecido apenas na quarta-feira (16), com o fim da apuração dos votos emitidos no exterior e dos votos antecipados.

Uma aliança progressista também não parece simples: dois integrantes da potencial coalizão, o partido de esquerda e o partido de centro, já estabeleceram suas condições. O primeiro afirmou que só apoiará a formação de um Executivo se fizer parte dele; enquanto o segundo insiste que não participará de nenhum governo que tenha integrantes do partido de esquerda.

Os dois partidos "têm suas linhas vermelhas, mas isso também dependerá das questões de fundo e do que conseguirem", observou a cientista política Annika Freden, da Universidade de Lund. "Com base nestas conquistas, veremos se abandonam as linhas vermelhas e quando", destacou.

O primeiro-ministro Ulf Kristersson tentará ampliar sua base ao buscar apoios no centro.

Mas isso também será um exercício delicado porque, antes das eleições, a direita havia garantido alguns ministérios à extrema direita, algo inaceitável para os centristas.

"Mesmo se o resultado desta noite for confirmado, vou analisar se existem possibilidades dentro desta maioria parlamentar não socialista de encontrar alguma configuração de governo viável", disse Kristersson a seus apoiadores na noite de domingo.

Com esse panorama, o diálogo será inevitável. "Na Suécia, temos uma cultura de negociação e há uma forte resistência a organizar novas eleições", indicou Freden.

E o que aconteceu com a extrema direita, que teria perdido três pontos em quatro anos? Vários analistas atribuíram o retrocesso ao endurecimento das políticas de migração e criminalidade.

"A questão migratória era mais importante em 2015/2016, agora há muitos partidos que defendem políticas rígidas, e os Democratas da Suécia não conseguiram se consolidar em outros temas", disse Freden.

Com quase 95% dos votos apurados, a extrema direita ficou em terceiro lugar, atrás dos social-democratas e dos moderados de Kristersson.

"Ainda não temos os resultados finais, mas é evidente que perdemos alguns pontos percentuais em comparação com quatro anos atrás", admitiu o líder do SD, Jimmie Akesson.

Mas isso não o impediria de se aliar a um governo de Kristersson, caso a esquerda não consiga chegar a um acordo para formar o Executivo.

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