Mudanças climáticas são principal motor de aquecimento dos mares europeus, aponta estudo
A maior parte do aquecimento dos mares europeus se deve às mudanças climáticas, que aumentaram a temperatura do Mediterrâneo em até 2°C neste verão nas áreas afetadas, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (19).
"Do Atlântico, em frente à costa da Irlanda, ao Mediterrâneo, os mares europeus registram um aumento alarmante de suas temperaturas", que foram neste verão até 6°C mais altas do que o normal em algumas zonas mediterrâneas, disse Thomas Frölicher, da Universidade de Berna, um dos autores do estudo.
"Nossas pesquisas mostram claramente que esse aumento se deve às mudanças climáticas, especialmente pela continuação da combustão de energias fósseis", acrescentou o autor.
Os pesquisadores do coletivo World Weather Attribution (WWA) combinaram dados de observação e modelos climáticos para comparar o clima atual a um clima hipotético sem qualquer aquecimento provocado pelo homem. Segundo seu estudo, o aquecimento global fez com que a temperatura da água no Mediterrâneo subisse 2°C; no Mar Cantábrico, 1,4°C; e nas águas da região celta (Irlanda e oeste da Grã-Bretanha), 1,3°C.
No mês passado, os ocenos de todo o mundo bateram um recorde de aquecimento pelo segundo mês consecutivo, segundo o observatório europeu Copernicus. Esse fenômeno foi particularmente acentuado na Europa, destacou o WWA.
"Cada tonelada adicional de carbono que emitimos leva as temperaturas costeiras europeias e os ecossistemas a um território desconhecido", disse Frölicher.
As ondas de calor marinhas e terrestres "estão, sem dúvida, relacionadas, e podem se reforçar mutuamente. São as duas faces da mesma moeda", comentou em entrevista coletiva Friederike Otto, professora da Imperial College de Londres.
O aquecimento dos mares pode favorecer alguns fenômenos meteorológicos extremos, sobretudo as chuvas, ao aumentar a evaporação e umidade do ar. Também pode causar a mortalidade em massa de corais, esponjas e algas, prejudicar as cadeias alimentares e reduzir a população de aves marinhas e mamíferos.
Algumas espécies, como as medusas, podem se beneficiar desse aquecimento, enquanto outras podem migrar para o norte. "Há ganhadores e perdedores", pontuou o cientista John Bruno, da Universidade da Carolina do Norte.
"Conforme a temperatura dos oceanos aumenta", cada vez ficam mais próximos "os limites" de muitas espécies para poderem se adaptar, advertiu o cientista.
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