Entre ameaças e ataques, guerra entre Irã e EUA se intensifica
A guerra no Oriente Médio prosseguia, nesta quinta-feira (16), com bombardeios dos Estados Unidos e contra-ataques do Irã a aliados de Washington no Golfo, apesar do apelo do Paquistão, país mediador, para que os países retomem as negociações.
"Os ataques continuam e são tão violentos que minhas mãos tremem", contou à AFP Hani, um professor iraniano de 34 anos que vive na cidade de Ahvaz, no sudoeste do país. "Foram pelo menos 11 ou 12 explosões. Tenho a impressão de que meus ouvidos vão explodir", acrescentou.
Os Estados Unidos lançaram, nas últimas 24 horas, duas novas ondas de bombardeios sobre o Irã, que respondeu com ataques a países da região aliados de Washington. Este é o cenário há vários dias.
Os dois lados trocam ameaças com a mesma intensidade do início da guerra, em fevereiro e março.
Até o momento, as instalações de petróleo e gás do Golfo escaparam da fúria iraniana, mas Teerã ameaça bombardear as infraestruturas do Oriente Médio em caso de ataques contra as instalações do país.
A ameaça foi uma resposta à advertência de terça-feira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre bombardeios contra as pontes e usinas elétricas do país caso os iranianos não retornem à mesa de negociações.
Os confrontos foram retomados em 7 de julho, após ataques contra navios no Golfo atribuídos ao Irã. As hostilidades não têm precedentes desde o cessar-fogo de abril.
A guerra, desencadeada em 28 de fevereiro com os bombardeios israelenses e americanos, provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
O Paquistão, mediador entre as partes, pediu nesta quinta-feira o "fim da violência e a retomada das discussões" no âmbito do protocolo de acordo assinado em meados de junho e que foi desmantelado.
Também pediu o "retorno à normalidade no Estreito de Ormuz". No fim de semana passado, o Irã voltou a bloquear a via marítima, essencial para o trânsito mundial de hidrocarbonetos e, em represália, os Estados Unidos restabeleceram na terça-feira o bloqueio aos portos iranianos.
- Hospital evacuado -
No Estreito de Ormuz, o tráfego diminuiu de forma significativa, com apenas 13 navios comerciais registrados na terça-feira pela empresa de rastreamento marítimo Kpler.
Os preços do petróleo permaneciam estagnados nesta quinta-feira, após a alta no início da semana, com o barril de Brent negociado por volta de 85 dólares.
O Exército dos Estados Unidos anunciou ataques contra alvos militares "utilizados para ameaçar os navios que transitam livremente pelo Estreito de Ormuz". Mas o Irã afirma que as forças americanas também atacaram infraestruturas civis, como o aeroporto de Semnan, a 250 km da capital.
Um hospital em Ahvaz (sudoeste) precisou ser evacuado após bombardeios americanos em suas imediações, denunciaram as autoridades iranianas, que chamaram o episódio de "ataque bárbaro".
Também foram ouvidas explosões em várias cidades costeiras, como Bandar Abbas e Shabahar, assim como na ilha de Qeshm, informou a imprensa estatal.
"Não vivemos, sobrevivemos. Que Deus acabe com a guerra e, depois, com as dificuldades econômicas", afirmou Nadin, uma professora de 27 anos que vive na província de Sistão-Baluchistão, no sudeste do país.
Teerã foi poupada dos bombardeios até o momento. Na capital, a vida segue seu curso apesar do acionamento, durante a noite passada, dos sistemas de defesa antiaérea na região.
Mais de 30 civis morreram desde que os confrontos foram retomados, segundo as autoridades iranianas, que também comunicaram o falecimento de sete militares.
- "Quem será o próximo?" -
O Irã respondeu com ataques de drones contra Bahrein, Kuwait e Jordânia. "Todos os dias, eu acordo perguntando se a situação vai se acalmar ou piorar", declarou à AFP Mustafa Mohamed, um contador sudanês de 39 anos que vive no Kuwait.
A guerra também se estendeu ao Iraque, que condenou um "ataque de drones" perto do consulado americano em Erbil, na região do Curdistão, o primeiro na região desde a trégua de abril.
Em Teerã, depois de uma faixa com Donald Trump em um caixão, um grande painel vermelho exibido em um cruzamento afirma em inglês: "Quem será o próximo?" ('who is D nexT one?' em inglês). As letras D e T, iniciais do nome do presidente americano, estão escritas em maiúsculas. E a primeira aparece estilizada para representar seu famoso cabelo.
Logo abaixo aparece a hashtag #lindseygraham, o senador republicano que faleceu em 11 de julho e defensor da ofensiva israelense-americana contra o Irã.
burx-vgu/am/mas-erl/avl/fp/aa
© Agence France-Presse
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