Onda de calor sem precedentes avança em direção à costa leste dos EUA
Uma onda de calor sem precedentes se espalha nesta terça-feira (14) do oeste até a costa leste dos Estados Unidos e mantém quase 100 milhões de pessoas sob alertas por temperaturas elevadas.
O fenômeno, conhecido como "domo de calor", já bateu recordes históricos em vários estados do oeste do país. Em Billings, no estado de Montana, os termômetros marcaram 44°C, superando o recorde anterior de 42°C. Em Salt Lake City, em Utah, a temperatura chegou a 43°C, acima da máxima histórica de 42°C.
Embora o calor extremo e a umidade continuem afetando o oeste, a massa de ar quente avança agora em direção à densamente povoada costa leste, que já enfrentou temperaturas excepcionalmente altas no início do mês.
O Serviço Nacional de Meteorologia alertou que temperaturas acima da média e condições potencialmente perigosas atingirão o nordeste do país nesta terça-feira. O pico do calor é esperado para quarta-feira, antes de se expandir para a região do Atlântico Médio.
De Richmond, no estado da Virgínia, até Boston, em Massachusetts, as temperaturas devem variar entre 35°C e 38°C, com máximas diárias que podem igualar ou até superar recordes históricos.
O alívio é esperado para o fim da semana, quando as temperaturas devem começar a cair.
Cientistas do grupo World Weather Attribution divulgaram uma análise segundo a qual as condições de calor e umidade registradas durante a onda anterior na costa leste — coincidente com as comemorações dos 250 anos dos Estados Unidos, em 4 de julho — teriam sido "virtualmente impossíveis" sem a influência das mudanças climáticas causadas pela atividade humana.
Os domos de calor também podem favorecer as chamadas "tempestades secas", nas quais a chuva evapora antes de atingir o solo. Nesses casos, raios podem provocar incêndios florestais, especialmente porque grande parte do oeste americano já enfrenta condições de seca.
Os cientistas afirmam ainda que um forte fenômeno El Niño, atualmente em formação no Pacífico equatorial, pode contribuir para a persistência desse domo de calor.
O aquecimento recorde das águas do Pacífico central está deslocando as áreas de formação de tempestades tropicais, alterando a corrente de jato sobre o oeste dos Estados Unidos e favorecendo o aprisionamento do ar quente na região.
Meteorologistas americanos preveem que o El Niño atinja sua intensidade máxima entre outubro e dezembro, possivelmente em níveis recordes, enquanto o maior aumento de temperatura associado ao fenômeno é projetado para 2027.
ia/dw/ad/mar/lm/am
© Agence France-Presse
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